Deepfakes representam 60% dos conteúdos com IA identificados nas eleições

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Projeto VigIA confirmou 920 publicações produzidas ou alteradas com inteligência artificial entre 16 de agosto e 28 de setembro

Os deepfakes foram o principal tipo de conteúdo criado ou editado com inteligência artificial identificado nas redes sociais durante o período eleitoral de 2026. Relatório publicado nesta quinta-feira (1º) pelo projeto VigIA aponta que eles correspondem a 60% das 920 publicações em que foi confirmado o uso de IA, coletadas entre 16 de agosto e 28 de setembro.

  • O que é: levantamento sobre o uso de inteligência artificial em conteúdos político-eleitorais publicados nas redes sociais.
  • Números principais: 920 casos confirmados de uso de IA, sendo 60% classificados como deepfakes.
  • Período analisado: de 16 de agosto a 28 de setembro.
  • Quem afeta: eleitores, candidaturas, partidos, plataformas digitais e órgãos responsáveis pela fiscalização eleitoral.

Entre os deepfakes mais recorrentes estão vídeos em que jornalistas aparecem anunciando notícias inventadas e conteúdos nos quais celebridades são apresentadas, falsamente, como apoiadoras de candidatos.

Quem publicou os conteúdos com inteligência artificial?

A maioria das postagens falsas identificadas, 525, foi publicada por usuários comuns, incluindo contas anônimas. Para a pesquisadora responsável pelo relatório, Beatriz Farrugia, o dado representa um desafio para a aplicação das regras eleitorais.

Segundo Farrugia, a predominância de conteúdos publicados por usuários e avatares anônimos pode exigir uma atuação conjunta entre a Justiça e as plataformas digitais para identificar os responsáveis pelas contas.

Na análise geral dos autores, 47% das publicações partiram de usuários comuns. Outros 27% dos conteúdos foram publicados por perfis desconhecidos, proporção superior aos 24,5% atribuídos às contas oficiais das candidaturas.

Os conteúdos feitos com IA estavam sinalizados?

Na maioria dos casos, não. Dos 920 conteúdos identificados com uso de inteligência artificial, apenas 371 estavam sinalizados como materiais produzidos ou manipulados com auxílio da tecnologia. O número corresponde a cerca de 40% do total.

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As outras 549 publicações não apresentavam a sinalização. Entre esses conteúdos, 75 foram publicados por candidatos ou partidos, conforme os dados apresentados pelo VigIA.

O relatório destaca que o uso de inteligência artificial é permitido na produção de determinados conteúdos eleitorais, desde que sejam observadas as regras de identificação do material criado ou manipulado com a tecnologia.

Quantos conteúdos foram analisados pelo projeto VigIA?

Ao todo, o VigIA coletou 1.941 conteúdos político-eleitorais considerados suspeitos durante o período analisado. Até a publicação do relatório, 972 imagens e vídeos haviam passado pela análise, com 920 casos confirmados de utilização de inteligência artificial.

A investigação é realizada em parceria com o Laboratório de Inteligência Artificial Recod.ai, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Três ferramentas de detecção são aplicadas para procurar indícios do uso de IA. Posteriormente, os resultados passam pela avaliação dos pesquisadores.

Além dos deepfakes, o levantamento identificou conteúdos sintéticos nos quais a tecnologia foi utilizada para criar ou modificar elementos das publicações sem necessariamente atribuir a uma pessoa falas ou atos que não aconteceram.

Para que a inteligência artificial foi usada nas publicações?

A promoção de candidaturas foi a finalidade mais frequente entre os conteúdos identificados pelo VigIA. Essa característica apareceu em 414 dos 920 casos confirmados, o equivalente a 45% do total.

Cerca de um quarto dos conteúdos analisados apresentava ataques contra candidatos ou outras pessoas. Uma proporção semelhante das publicações utilizou inteligência artificial para produzir materiais de humor ou sátira.

Para a fundadora e gerente de Inteligência e Formação da Agência Lupa, Cristina Tardáguila, os resultados indicam que a inteligência artificial passou a fazer parte da comunicação política cotidiana e não está restrita a episódios isolados.

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Segundo Tardáguila, a identificação de quase um conteúdo com IA por hora, somada à falta de sinalização na maioria das publicações, demonstra o desafio enfrentado tanto pelos eleitores quanto pelos órgãos fiscalizadores.

Quais figuras políticas apareceram mais nos conteúdos analisados?

Segundo o relatório, o cenário nacional concentrou grande parte dos conteúdos, com destaque para a eleição presidencial. O presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi a figura pública mais retratada, aparecendo em 379 publicações. Flávio Bolsonaro (PL) apareceu em 190 conteúdos.

Entre as publicações envolvendo Lula, 39% foram classificadas como humor ou sátira, enquanto 34% tinham como finalidade atacar sua candidatura. Nos conteúdos envolvendo Flávio Bolsonaro, 40% buscavam favorecer sua candidatura e 28% foram classificados como humorísticos ou satíricos.

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