IBGE: 2 milhões de trabalhadores por aplicativo no país têm jornada mais longa e ganham menos por hora

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Pesquisa revela que 58,9% atuam no transporte de passageiros; rendimento médio é de R$ 3.147, mas trabalhadores recebem 12% menos por hora que os não plataformizados; informalidade atinge 72,1% do setor.

Cerca de 2 milhões de pessoas trabalharam por meio de aplicativos no país em 2025. A imensa maioria deles por conta própria, com jornadas semanais mais longas que os demais ocupados no setor privado e ganhando menos por hora trabalhada. A constatação faz parte de uma edição sobre trabalho por meio de plataformas digitais da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada nesta sexta-feira (4) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

  • O que é: Dados da Pnad Contínua do IBGE sobre trabalho por meio de plataformas digitais em 2025.
  • Números principais: 1,959 milhão de trabalhadores (1,9% do total ocupado); 58,9% no transporte de passageiros; 19,2% entregadores; rendimento médio de R$ 3.147; jornada de 44,7 horas semanais (5,4h a mais); rendimento-hora 12% menor; informalidade em 72,1%.
  • Onde: Brasil — pesquisa nacional do IBGE.
  • Quem afeta: Trabalhadores de aplicativos, motoristas de Uber/99, entregadores do iFood/Rappi, profissionais de plataformas digitais e o mercado de trabalho.

Quantas pessoas trabalham por aplicativos no Brasil?

Em 2025, o contingente de trabalhadores por aplicativos era de 1,959 milhão de pessoas, representando 1,9% do total de ocupados no país. A pesquisa, que é experimental, busca informações de pessoas com 14 anos ou mais que utilizam aplicativos para realizar serviços de transporte e entregas. O IBGE classifica esses trabalhadores como “plataformizados”.

Quais são as principais ocupações dos plataformizados?

Cerca de 1,2 milhão de trabalhadores (58,9%) utilizam apps de transporte de passageiros, sendo 1,1 milhão em plataformas como Uber e 99, e 232 mil em apps de táxi. Um em cada cinco (19,2%) atua como entregador de apps de comida e produtos, totalizando 376 mil pessoas em plataformas como iFood, Rappi e Zé Delivery. Além disso, 313 mil pessoas (16%) atuam em apps de prestação de serviços gerais ou profissionais, como designers, tradutores e telemedicina.

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Qual é o rendimento e a jornada dos trabalhadores por app?

O rendimento médio mensal dos plataformizados foi de R$ 3.147, mesmo patamar dos não plataformizados (R$ 3.148). No entanto, a jornada semanal dos trabalhadores de app foi de 44,7 horas, superior à dos demais (39,3 horas). Com isso, o rendimento-hora médio do trabalhador de app foi de R$ 16,2, 12% menor que o dos não plataformizados (R$ 18,4). O IBGE esclarece que os valores representam o saldo após o trabalhador pagar custos como gasolina.

Como está a informalidade e a cobertura previdenciária?

Os trabalhadores por app vivenciavam mais a informalidade: 72,1% estavam nessa condição, contra 42,7% dos não plataformizados. A cobertura previdenciária também era menor: apenas 34% dos plataformizados contribuíam para a Previdência, enquanto entre os não plataformizados esse índice era de 63%. O IBGE considera informais os empregados sem carteira assinada e autônomos sem CNPJ, ou seja, sem garantia de direitos como férias e 13º salário.

Qual a evolução do trabalho por apps nos últimos anos?

A Pnad sobre trabalho por plataforma já foi realizada em 2022 e 2024, mas com metodologia diferente. Considerando apenas os trabalhadores que tinham os apps como ocupação principal, o número passou de 1,3 milhão em 2022 para 1,7 milhão em 2024 e 1,8 milhão em 2025. Isso representa um crescimento de 9,1% em um ano e 36,8% em três anos. O número de entregadores de app cresceu 18,6% entre 2024 e 2025, sendo a única ocupação com variação de dois dígitos.

Por que as pessoas trabalham por aplicativos?

Entre os que atuam com apps de transporte e entregadores, o principal motivo foi não conseguir encontrar outro trabalho. A flexibilidade e a percepção de rendimento maior do que em outros trabalhos disponíveis também foram citadas como motivações. Apesar de se declararem trabalhadores por conta própria (86,8% do total, contra 28,9% na economia geral), o IBGE ressalta que há “evidências de certo grau de dependência” em relação às plataformas: 80,2% dos motoristas e 78,3% dos entregadores afirmam que o valor recebido por tarefa depende totalmente dos aplicativos.

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