terça-feira, 19 maio, 2026

Estudo brasileiro revela mutações hereditárias em 1 a cada 10 pacientes com câncer

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Um estudo realizado no Brasil identificou mutações hereditárias ligadas ao câncer em 1 a cada 10 pacientes com tumores de mama, próstata ou intestino. A pesquisa analisou pessoas atendidas em hospitais públicos das cinco regiões do país e reforçou o papel dos testes genéticos na identificação precoce de famílias com maior risco de desenvolver a doença.

O levantamento foi conduzido pelo Subprojeto de Oncologia do Mapa do Genoma Brasileiro e publicado na revista científica The Lancet Regional Health – Americas. Ao todo, pesquisadores avaliaram 275 pacientes: 140 com câncer de mama, 70 com câncer de intestino e 65 diagnosticados com câncer de próstata.

A investigação encontrou alterações genéticas hereditárias mesmo em parentes que nunca tiveram sintomas ou diagnóstico de câncer. Em parte das famílias analisadas, quase 40% dos familiares carregavam as mesmas mutações identificadas nos pacientes oncológicos.

Em reportagem publicada pela CNN Brasil, especialistas afirmaram que o avanço da oncogenética tem mudado a forma como médicos investigam risco de câncer e acompanham pacientes com histórico familiar da doença.

Genética muda prevenção e tratamento

Raphael Parmeggiani, vice-presidente de assuntos científicos em oncologia da Centogene na América Latina, afirma que os estudos genéticos permitem identificar predisposições antes do aparecimento do tumor.

Segundo ele, o câncer passou a ser observado de forma mais individualizada, o que ajuda médicos a criarem estratégias de rastreamento, prevenção e tratamento mais direcionadas.

O oncologista Breno Jeha, da Oncoclínicas, diz que ainda existe receio por parte de muitos pacientes em realizar testes genéticos. Mas, na prática, identificar uma mutação antes do desenvolvimento da doença pode permitir acompanhamento mais próximo e diagnóstico precoce.

Ele cita como exemplo alterações no gene BRCA, associadas ao câncer de mama. Em alguns casos, pacientes podem discutir estratégias preventivas para reduzir o risco futuro da doença.

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Os pesquisadores também chamam atenção para um detalhe importante: nem sempre o câncer hereditário aparece acompanhado de um histórico familiar evidente. Por isso, especialistas defendem ampliar o acesso aos testes genéticos e incluir a oncogenética de forma gradual nas políticas públicas de saúde.

A idade média dos pacientes analisados no estudo foi de 58 anos. A maior parte dos participantes se declarou parda, seguida por pessoas brancas e pretas.

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