Uma criança foi internada em Natal, no Rio Grande do Norte, após apresentar sinais de intoxicação e lesões na pele depois de entrar em contato com um detergente da Ypê incluído entre os lotes suspensos pela Anvisa. O caso aconteceu na última semana e passou a ser acompanhado pela vigilância epidemiológica do estado, enquanto a agência sanitária mantém investigação sobre possíveis contaminações microbiológicas em produtos da marca.
Em reportagem publicada pela CNN Brasil, familiares relataram que a criança utilizou o detergente no dia 6 de maio. Horas depois, surgiram manchas atrás da orelha e em uma das mãos. Ela foi levada inicialmente à UPA de Pajuçara e depois transferida para o Hospital Infantil Varela Santiago.
A família apresentou aos profissionais de saúde o frasco utilizado pela criança. Segundo os parentes, o produto pertence a um lote com final 1 — exatamente a numeração atingida pela resolução da Anvisa que suspendeu fabricação, venda e distribuição de dezenas de produtos líquidos da empresa.
Os familiares afirmam que ainda aguardam os resultados dos exames e evitam cravar que o detergente foi a causa direta da contaminação. Mesmo assim, associaram o episódio ao alerta sanitário emitido nos últimos dias pela agência reguladora.
Anvisa encontrou 76 irregularidades
A crise envolvendo a Ypê começou após uma inspeção realizada no fim de abril em conjunto com órgãos de vigilância sanitária de São Paulo. Segundo a Anvisa, fiscais identificaram 76 irregularidades ligadas principalmente ao controle de qualidade e à segurança sanitária da produção.
A agência afirmou que as falhas poderiam favorecer contaminação microbiológica nos produtos líquidos fabricados pela empresa.
Os lotes afetados incluem lava-louças, lava-louças concentrado, lava-roupas líquidos e desinfetantes identificados com final 1 na numeração.
Mesmo após recorrer da decisão e conseguir suspensão temporária da medida até julgamento definitivo, a Ypê informou que manteve paralisadas as linhas de produção envolvidas no caso.
Em nota enviada à CNN Brasil, a empresa afirmou colaborar “de forma máxima” com a Anvisa e disse ter apresentado laudos microbiológicos e atualizações do processo fabril ao órgão regulador.
Enquanto o julgamento do recurso segue pendente, a Anvisa mantém a recomendação para que consumidores interrompam imediatamente o uso dos produtos atingidos pela resolução e entrem em contato com o SAC da empresa.





