O Brasil começou a adotar uma tecnologia inédita para rastrear sinais do Alzheimer: um exame de urina capaz de apontar risco para a doença em cerca de dez minutos. A ferramenta, já aprovada pela Anvisa, chega ao país como alternativa mais barata e menos invasiva aos exames usados atualmente para investigar demências, numa tentativa de acelerar o diagnóstico precoce e ampliar o acesso à triagem.
Segundo informações publicadas pela CNN Brasil, exames como PET Scan e punção lombar ainda dominam a investigação clínica do Alzheimer, mas os custos elevados e a dificuldade de acesso afastam parte dos pacientes. Enquanto um exame de imagem pode ultrapassar R$ 9 mil, a expectativa é que o novo teste custe entre R$ 500 e R$ 600 quando chegar ao mercado brasileiro.
A tecnologia busca identificar biomarcadores ligados à doença antes mesmo dos primeiros sinais de perda de memória. Estudos mostram que o acúmulo da proteína beta-amiloide — associada ao Alzheimer — pode começar décadas antes dos sintomas aparecerem.
Segundo Giuliano Araújo, CEO da Biocon Diagnósticos, a proposta não é substituir avaliação médica nem fechar diagnóstico isoladamente, mas funcionar como uma porta de entrada mais acessível para investigação especializada. A ideia é reduzir a dependência imediata de exames caros e concentrar recursos nos pacientes com maior risco.
Exame ainda exige cautela
A novidade chega num momento em que o Brasil vê crescer rapidamente o número de casos de demência. Hoje, cerca de 2 milhões de pessoas convivem com essas doenças no país. A projeção é que esse total quase triplique até 2050.
O exame foi desenvolvido a partir de pesquisas conduzidas pelo Florey Institute of Neuroscience and Mental Health, na Austrália, sob liderança do pesquisador Colin Masters, um dos cientistas responsáveis por identificar a proteína beta-amiloide como peça central do Alzheimer nos anos 1980. A tecnologia já é utilizada em mais de dez países.
Apesar do entusiasmo, especialistas defendem cautela. O neurologista Diogo Haddad, do Alta Diagnósticos, afirma que biomarcadores urinários vêm ganhando espaço nas pesquisas, mas ainda não alcançaram o mesmo grau de consolidação dos exames tradicionais.
Segundo ele, um teste de triagem só funciona bem quando consegue equilibrar rapidez com precisão. Muitos falsos positivos podem gerar ansiedade e sobrecarregar o sistema de saúde. Já resultados falsamente negativos podem atrasar diagnósticos importantes.
A chegada do exame também coincide com avanços recentes no tratamento da doença. Em dezembro de 2025, a Anvisa aprovou o lecanemabe para pacientes em fases iniciais do Alzheimer, reforçando a corrida por métodos capazes de identificar a doença antes do avanço do comprometimento cognitivo





