Exercício físico deve ser prescrito para cuidar do cérebro, defendem cientistas

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Pesquisadores canadenses defendem que a atividade física seja tratada como parte do tratamento médico, com orientações específicas sobre frequência, intensidade e duração

Resumo
  • Pesquisadores de universidades canadenses defenderam, em artigo publicado na terça-feira (3), que o exercício físico seja prescrito como parte dos tratamentos voltados à saúde cerebral.
  • A análise de estudos científicos aponta benefícios da atividade física para a memória, o funcionamento do cérebro e a redução de sintomas de depressão e ansiedade.
  • Os pesquisadores propõem prescrições individualizadas, considerando tipo de exercício, intensidade, frequência, duração e condições de segurança.
  • A OMS recomenda de 150 a 300 minutos semanais de atividade aeróbica moderada para adultos, além de exercícios de fortalecimento muscular.

O exercício físico deve deixar de ser apenas uma recomendação de estilo de vida e passar a integrar as prescrições médicas voltadas à saúde cerebral. A proposta é defendida por pesquisadores das universidades de Ottawa e Toronto, no Canadá, em artigo publicado na terça-feira (3), na revista científica Brain Health. Segundo os autores, estudos demonstram que a atividade física pode beneficiar a memória, o funcionamento do cérebro e a saúde mental, com efeitos sobre sintomas de depressão e ansiedade.

O artigo é assinado pelos pesquisadores Carl Zhou e Nicholas Fabiano, da Universidade de Ottawa, e Stanley Wong, da Universidade de Toronto. Os três integram departamentos de psiquiatria e defendem que a atividade física seja tratada como uma intervenção terapêutica, com orientações específicas para cada paciente.

Para os cientistas, a saúde cerebral envolve a manutenção das capacidades cognitivas, emocionais, comportamentais e sociais ao longo da vida. A prática regular de exercícios pode contribuir para diferentes aspectos dessas funções, conforme as evidências analisadas pelos pesquisadores.

Por que o exercício físico pode ser prescrito como tratamento?

Os pesquisadores defendem que o exercício físico seja prescrito porque seus benefícios para o cérebro são sustentados por estudos científicos. A proposta é que os profissionais de saúde indiquem atividades de maneira individualizada, considerando as necessidades e condições de cada paciente.

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Segundo Carl Zhou, as evidências disponíveis justificam uma prescrição que especifique o tipo de atividade, a frequência, a intensidade, a duração, os cuidados de segurança e um plano de acompanhamento, de maneira semelhante ao que ocorre com medicamentos.

A análise destaca que o funcionamento cerebral depende de vasos sanguíneos saudáveis, equilíbrio metabólico, controle da inflamação e neuroplasticidade, capacidade do cérebro de modificar suas conexões e se adaptar a diferentes estímulos.

Quais são os benefícios do exercício físico para o cérebro?

A prática de atividades físicas pode contribuir para a memória e a saúde mental, além de favorecer processos relacionados ao funcionamento cerebral. Os pesquisadores citam um ensaio clínico publicado em 2011, realizado com adultos mais velhos, que identificou aumento do volume da região anterior do hipocampo após a prática de exercícios aeróbicos.

O hipocampo é uma região do cérebro associada à memória. No estudo mencionado, o aumento do volume dessa estrutura foi acompanhado por melhora da memória dos participantes.

Outras pesquisas analisadas indicam que intervenções com atividade física podem reduzir sintomas depressivos, ansiedade e sofrimento psicológico. Uma revisão de ensaios científicos publicada em 2024 identificou benefícios associados à caminhada, corrida, ioga e treinamento de força no tratamento dos sintomas de depressão.

Os maiores efeitos geralmente foram observados em atividades realizadas com intensidade mais elevada. Isso não significa, porém, que todas as pessoas devam começar por exercícios intensos, já que a proposta dos pesquisadores considera as condições individuais de cada paciente.

O artigo também destaca os possíveis benefícios da atividade física para pessoas com esquizofrenia e outras doenças mentais graves. Segundo Stanley Wong, o exercício pode atuar simultaneamente sobre sintomas psiquiátricos, cognição e saúde física, áreas que frequentemente apresentam necessidades de acompanhamento nessa população.

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Quantos minutos de exercício físico são recomendados por semana?

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que adultos realizem de 150 a 300 minutos de atividade aeróbica moderada por semana. Outra possibilidade é praticar de 75 a 150 minutos de exercícios de intensidade vigorosa no mesmo período.

A recomendação também inclui atividades de fortalecimento muscular em pelo menos dois dias da semana. Essas orientações servem como referência geral, enquanto os pesquisadores defendem que as prescrições considerem as condições de saúde e as possibilidades individuais.

Como começar a praticar exercícios para melhorar a saúde mental?

Os pesquisadores defendem que o início da atividade física pode ser gradual, especialmente para pessoas com depressão, condição que frequentemente provoca falta de energia e motivação. O primeiro passo pode ser uma caminhada de cinco minutos, exercícios realizados em uma cadeira ou atividades simples da rotina, como passear com o cachorro.

Segundo Nicholas Fabiano, da Universidade de Ottawa, o início não precisa envolver grandes esforços. A proposta é estabelecer atividades possíveis de serem realizadas e construir o hábito por meio da repetição de pequenas conquistas.

Os autores defendem que a atividade física receba acompanhamento semelhante ao de outras intervenções terapêuticas, com definição de objetivos e avaliação dos resultados. A proposta, porém, não estabelece uma obrigatoriedade de prescrição médica, mas recomenda uma mudança na maneira como os profissionais de saúde utilizam o exercício físico no cuidado aos pacientes.

As conclusões foram apresentadas em artigo publicado na revista Brain Health e divulgadas pela Agência Brasil, com informações da agência de notícias Lusa.

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