terça-feira, 23 junho, 2026

Governo brasileiro quer fortalecer comércio entre países do Brics

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Os líderes do Brics discutiram nesta segunda-feira (8) estratégias para ampliar os mecanismos de comércio entre os países do bloco, em meio à decisão dos Estados Unidos de elevar tarifas contra parceiros comerciais. O encontro virtual foi organizado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que destacou o papel do grupo na defesa do multilateralismo.

Comércio e integração financeira

Em discurso, Lula afirmou que o fortalecimento do comércio e da integração financeira entre os países do Brics é uma alternativa para mitigar os efeitos do protecionismo. O presidente brasileiro defendeu que o bloco tem legitimidade para liderar a refundação do sistema multilateral de comércio, em bases modernas e flexíveis.

Lula citou ainda o Novo Banco de Desenvolvimento como instrumento para diversificação econômica. Segundo ele, o grupo reúne condições estratégicas: 40% do PIB global, 26% do comércio internacional, quase 50% da população mundial, além de forte potencial agrícola e energético.

Críticas ao unilateralismo

O presidente criticou o “enterramento formal” dos princípios de livre comércio na Organização Mundial do Comércio (OMC), paralisada há anos. Ele denunciou a chamada “chantagem tarifária”, usada como instrumento político, e alertou para sanções que restringem a liberdade de cooperação entre países.

“Precisamos chegar unidos à 14ª Conferência Ministerial da OMC, no próximo ano, em Camarões”, reforçou.

Reforma da governança global

Durante a reunião, Lula também abordou a necessidade de reformar instâncias multilaterais, como o Conselho de Segurança da ONU e a própria OMC. Ele defendeu que a cooperação entre os países do Brics é resposta à crise de governança mundial.

Geopolítica, guerras e clima

O presidente ainda criticou a presença militar dos EUA no Caribe e destacou a posição pacífica da América Latina, livre de armas nucleares desde 1968. Ele chamou atenção para os conflitos em curso, como a guerra na Ucrânia e a tragédia em Gaza, e reforçou que intervenções externas não devem ser justificadas por terrorismo ou narcotráfico.

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No campo ambiental, Lula convocou os líderes a participar da COP30, em 2025, em Belém, e sugeriu a criação de um Conselho de Mudança do Clima da ONU. “A COP30 será o momento da verdade e da ciência”, afirmou.

Participação e próximos passos

Além de Lula, participaram da cúpula virtual os líderes de China, Rússia, Índia, África do Sul, Egito, Indonésia, Irã, Etiópia e dos Emirados Árabes Unidos. O encontro também preparou terreno para a 80ª Assembleia Geral da ONU, marcada para o fim do mês em Nova York.

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