terça-feira, 19 maio, 2026

Uso excessivo de telas aumenta risco de ansiedade e depressão, aponta estudo

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Pessoas que passam mais tempo diante de telas têm maior risco de desenvolver ansiedade, depressão, insônia e dificuldades de concentração. A conclusão aparece em uma pesquisa conduzida pela terapeuta ocupacional Renata Maria Silva Santos, da Universidade Federal de Minas Gerais, que analisou estudos com mais de 2,5 milhões de participantes para investigar os efeitos da hiperconexão na saúde mental.

Mas o problema, segundo a pesquisadora, não está apenas na quantidade de horas diante do celular ou computador. O conteúdo consumido e a forma como cada pessoa se relaciona com as telas parecem pesar ainda mais.

Em entrevista publicada pela revista Radis, da Fiocruz, Renata afirma que redes sociais tendem a produzir impactos mais nocivos do que atividades ligadas ao trabalho ou estudo. Comparação constante, sensação de fracasso, baixa autoestima e busca permanente por validação aparecem entre os efeitos mais frequentes observados na pesquisa.

A pesquisadora relata que sintomas como irritabilidade, impaciência, dificuldade de manter atenção em conversas longas, frustração constante e alterações no sono passaram a surgir com frequência crescente em pessoas submetidas ao uso contínuo de telas.

Redes sociais alimentam sensação de inadequação

O estudo também identificou uma ligação entre insegurança econômica e aumento do tempo gasto online. Segundo Renata, pessoas sob pressão financeira tendem a usar mais redes sociais e aplicativos como forma de aliviar tensão emocional — um ciclo que pode aprofundar isolamento e sofrimento psicológico.

A pesquisa descreve ainda fenômenos cada vez mais comuns entre usuários hiperconectados. Um deles é o chamado FOMO, sigla em inglês para “medo de ficar de fora”, muito presente entre adolescentes que sentem necessidade de acompanhar constantemente o que amigos e colegas fazem.

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Entre adultos, aparece outro comportamento: o FOBO, definido como “medo de escolher a opção errada”. O excesso de possibilidades disponíveis online cria insegurança, dificuldade de decisão e sensação permanente de arrependimento potencial.

A pesquisadora também chama atenção para impactos físicos e cognitivos provocados pelo uso precoce de telas em crianças. Segundo ela, o excesso de tablets e celulares pode comprometer habilidades manuais, reduzir estímulos ligados ao toque e afetar áreas cerebrais relacionadas à coordenação motora e tomada de decisão.

Enquanto isso, adultos que abandonaram redes sociais relataram melhora na qualidade do sono, redução da procrastinação e relações pessoais mais profundas.

A epidemiologista Fernanda Letícia Santos contou que passava cerca de oito horas por dia no Instagram e vivia sob sensação constante de inadequação. Já a servidora pública Flávia Lopes relatou que deixou Facebook e Instagram após perceber que passava horas acompanhando “vidas perfeitas” enquanto acumulava tarefas e estresse.

Para Lara Liz Freire, designer que está há quatro anos longe das redes sociais, o afastamento trouxe algo simples que ela diz sentir falta no mundo digital: calma.

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