SC tem 192 municípios infestados pelo Aedes aegypti; Brasil mantém alerta

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Levantamento nacional aponta quase metade dos municípios em alerta ou risco, enquanto Santa Catarina registra mais de 57 mil focos do mosquito em 2026

Mesmo com a redução expressiva dos casos de dengue em 2026, a presença do mosquito Aedes aegypti continua preocupando as autoridades de saúde. Em Santa Catarina, 192 dos 295 municípios são considerados infestados pelo transmissor da dengue, chikungunya e zika. No cenário nacional, um novo levantamento do Ministério da Saúde revela que quase metade das cidades pesquisadas apresenta situação de alerta ou risco para a presença do mosquito.

Os dados nacionais foram divulgados na quarta-feira (7), com base no segundo ciclo do Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa), realizado entre maio e agosto. Entre os 3.732 municípios que encaminharam informações ao governo federal, 49,2% apresentaram índices de infestação classificados como alerta ou risco.

Apesar da situação, o país registra queda nas infecções. Até 26 de setembro, foram contabilizados aproximadamente 470,5 mil casos prováveis de dengue, contra 1,5 milhão no mesmo período de 2025, uma redução de cerca de 70%. Também houve diminuição nos registros de chikungunya, de 43%, e de zika, de 35%.

Santa Catarina registra mais de 57 mil focos

Em Santa Catarina, o boletim epidemiológico da Diretoria de Vigilância Epidemiológica (DIVE/SC), atualizado em 5 de outubro, aponta a identificação de 57.093 focos do Aedes aegypti em 258 municípios desde o início de janeiro. Desse total, 192 cidades são consideradas infestadas, o equivalente a aproximadamente 65% dos municípios catarinenses.

O Estado contabilizou 36.106 notificações de dengue, das quais 3.299 foram classificadas como casos prováveis. O número representa uma redução de 86,2% em comparação com o mesmo período de 2025, quando haviam sido registrados 23.769 casos prováveis. Até a atualização do boletim, Santa Catarina não havia confirmado mortes pela doença em 2026.

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O levantamento estadual também identificou a circulação dos sorotipos DENV1, DENV2 e DENV3. Em relação à chikungunya, foram registrados 103 casos prováveis, dos quais 52 confirmados. No Oeste catarinense, Xaxim e Xanxerê concentraram os maiores números de confirmações, com nove casos cada.

Calor e chuva reforçam necessidade de prevenção

Com a chegada da primavera e a aproximação do verão, a preocupação das autoridades sanitárias se volta para as condições climáticas que favorecem a reprodução do mosquito. O aumento das temperaturas e os períodos de chuva podem ampliar a formação de criadouros, especialmente em ambientes residenciais.

Segundo o levantamento nacional, 42,3% dos criadouros identificados estão relacionados a vasos e pratos de plantas, garrafas e pequenos recipientes. Outros 26,1% estão em reservatórios de água, enquanto 23% correspondem a pneus, lixo e resíduos sólidos. Nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, predominam os recipientes domésticos como locais de reprodução do mosquito.

Para reduzir os riscos, o Ministério da Saúde recomenda que a população faça vistorias frequentes em residências, terrenos e estabelecimentos comerciais. Entre as principais medidas estão manter caixas-d’água bem vedadas, limpar calhas e ralos, eliminar água acumulada em vasos e descartar corretamente pneus, garrafas e outros materiais.

O governo federal também anunciou a ampliação de estratégias de vigilância, incluindo o uso de ovitrampas para monitoramento de ovos do mosquito, aplicação de larvicidas em locais de difícil acesso e utilização do método Wolbachia, tecnologia biológica que reduz a capacidade de transmissão dos vírus pelo inseto.

Embora os indicadores de dengue tenham apresentado melhora em 2026, a ampla presença do Aedes aegypti demonstra que o risco de transmissão permanece. A orientação das autoridades é intensificar a prevenção antes do período mais quente do ano, evitando que novos criadouros contribuam para o aumento das infecções.

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