Resumo
Pesquisadores da Fundação do Câncer identificaram falhas nos registros oficiais de câncer de pele no Brasil, como a ausência de dados sobre raça e escolaridade. Essas lacunas prejudicam o diagnóstico precoce e a elaboração de políticas de prevenção. Em 2023, a doença foi responsável por 5.588 mortes no país.
Destaques sobre o estudo
- Dados ausentes: Cerca de 36% dos registros não informam a raça e 26% omitem a escolaridade dos pacientes.
- Impacto regional: O Sudeste lidera a falta de dados sobre raça, enquanto o Centro-Oeste tem as maiores lacunas sobre escolaridade.
- Previsões futuras: O Inca estima mais de 270 mil novos casos anuais de câncer de pele entre 2026 e 2028.
- Fatores de risco: Além do sol, a exposição ocupacional e o uso de câmaras de bronzeamento aumentam as chances da doença.
Lacunas nos registros oficiais
Conforme apuração original do portal Agência Brasil, um estudo da Fundação do Câncer aponta que os bancos de dados do governo sobre o câncer de pele carecem de informações fundamentais para o combate à doença. A análise, divulgada nesta segunda-feira (14), revela que a falta de detalhes sobre o perfil dos pacientes compromete a detecção precoce e o tratamento de uma enfermidade que vitimou 5.588 brasileiros apenas no último ano.
Epidemiologistas e estatísticos analisaram dados de registros hospitalares e do Sistema de Informação sobre Mortalidade. Eles descobriram que informações sobre raça e cor da pele estão ausentes em mais de 36% dos casos, enquanto a escolaridade não consta em cerca de 26% dos registros. Segundo Alfredo Scaff, coordenador do estudo, esses dados são vitais para direcionar ações de prevenção em um país com altos índices de radiação ultravioleta.
Diferenças regionais e tipos da doença
A falta de informações varia conforme a região do país. No Sudeste, o índice de ausência de dados sobre raça chega a 68,7% nos casos de melanoma, o tipo mais grave da doença. Já no Centro-Oeste, a maior carência é sobre a escolaridade dos pacientes, atingindo 74% nos casos de câncer não melanoma. De acordo com os pesquisadores, essa incompletude impede uma análise precisa sobre desigualdades raciais na saúde.
O câncer de pele é o mais frequente no Brasil, dividido principalmente entre os carcinomas (basocelular e espinocelular) e o melanoma. Enquanto os carcinomas atingem as camadas superficiais da pele e são mais comuns, o melanoma é mais agressivo e tem maior capacidade de se espalhar pelo corpo. Entre 2014 e 2023, o Brasil registrou um total de 452.162 casos da doença.
Previsões e grupos de risco
Estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca) indicam que, entre 2026 e 2028, o Brasil deve registrar anualmente cerca de 263 mil novos casos de câncer não melanoma e 9,3 mil de melanoma. A região Sul apresentou as maiores taxas de mortalidade por melanoma em 2024, especialmente entre o público masculino. A doença é mais frequente em pessoas acima dos 50 anos, sendo que o tipo não melanoma atinge mais os homens.
A exposição solar é o principal fator de risco, especialmente para pessoas de pele clara. No entanto, o estudo alerta para os perigos ocupacionais. Profissionais que trabalham ao ar livre, como garis, policiais, agricultores e trabalhadores da construção civil, estão em maior risco. Além do protetor solar, o uso de equipamentos como chapéus, blusas de manga longa e óculos com proteção UV é essencial para esses grupos.
Prevenção e posicionamento oficial
O pesquisador Alfredo Scaff também destacou que a exposição a fontes artificiais, como câmaras de bronzeamento, e queimaduras solares graves na infância aumentam as chances de desenvolver melanoma. Já a exposição contínua ao longo da vida está mais ligada aos cânceres não melanoma. O Ministério da Saúde informou que está analisando os resultados da pesquisa da Fundação do Câncer e aguarda para se manifestar sobre o tema.






