Câncer de mama: 51% dos casos no SUS chegam tarde

Compartilhe essa notícia:

No SUS, cerca de 51% dos casos de câncer de mama foram diagnosticados em estágios avançados, nos níveis 3 e 4 da doença, segundo o Panorama da Atenção ao Câncer de Mama divulgado nesta quinta-feira (1º). O estudo, feito com dados do INCA e em parceria entre Instituto Natura, Avon, Observatório da Oncologia do Movimento Todos Juntos Contra o Câncer e Instituto Protea, também mostra queda nas mamografias e atraso no início do tratamento.

Mulheres mais jovens concentram os diagnósticos tardios

O recorte por idade mostra que o diagnóstico tardio pesa mais entre as mais jovens. Entre mulheres de 20 a 29 anos, 68,3% receberam a confirmação em fase avançada. Na faixa de 30 a 39 anos, o índice foi de 61,9%; entre as de 40 a 49 anos, chegou a 53,7%. Já entre as mulheres de 50 a 69 anos, público-alvo do rastreamento, o percentual foi de 47,6%, ou seja, quase metade.

Mariana Lorencinho, gerente de Políticas Públicas pelo Cuidado com a Saúde das Mamas no Instituto Natura, disse que o quadro aparece junto da queda na realização de mamografias pelo SUS. Ela afirmou: “Monitorar esses dados é fundamental para apoiar políticas públicas de qualidade e baseadas na compreensão dos reais desafios, além de ampliar a conscientização das mulheres, para que elas conheçam a importância da detecção precoce, realizem os exames indicados e encontrem a assistência de que precisam no momento certo”.

Menos exames e mais demora para tratar

Pelo segundo ano seguido, o país registrou queda na produção dos exames. O volume de mamografias caiu -0,2% em 2024 e -1% em 2025. A cobertura nacional para a população-alvo, de 50 a 69 anos, também encolheu: era de 22,8% em 2024 e passou para 22,1% em 2025.

LEIA TAMBÉM  Exame de sangue pode ajudar a identificar risco de câncer colorretal precoce

O relatório relaciona a falta de exames às mortes pela doença. Conforme os dados do Ministério da Saúde, o câncer de mama é a doença que mais mata mulheres no Brasil, embora tenha chance de cura de 95% quando é detectado no início. Entre 2015 e 2025, o país registrou 203.785 mortes por câncer de mama. Só em 2025 foram 21.668 óbitos, o maior número da série histórica.

O tempo entre o diagnóstico e o começo do tratamento também segue acima do limite legal. Entre 2015 e 2025, as pacientes esperaram, em média, 123 dias para iniciar o tratamento no SUS. O prazo é mais que o dobro dos 60 dias previstos pela Lei nº 12.732/2012. A lei diz: “Art. 2º O paciente com neoplasia maligna tem direito de se submeter ao primeiro tratamento no Sistema Único de Saúde (SUS), no prazo de até 60 (sessenta) dias contados a partir do dia em que for firmado o diagnóstico em laudo patológico ou em prazo menor, conforme a necessidade terapêutica do caso registrada em prontuário único.”

Em 2025, os estados com maior média de espera foram Sergipe, com 115 dias; Rio de Janeiro, com 107 dias; e Bahia, com 100 dias.

Onde a mamografia avança menos

A cobertura também varia bastante pelo país. Em 2025, a Região Sul teve o melhor resultado nacional, com 25,6%. Entre os estados, os maiores índices foram Piauí (32,4%), Bahia (28,8%) e São Paulo (28,7%). No outro extremo ficaram Norte e Centro-Oeste, com coberturas de 10,6% e 13,5%, respectivamente.

Entre os estados com os menores índices aparecem Tocantins (5,8%), Rondônia (7,9%) e Pará (8,7%). O SUS oferece gratuitamente a mamografia, principal exame para detectar o câncer de mama. O Ministério da Saúde recomenda rastreamento mamográfico bienal para mulheres entre 50 e 74 anos.

  • Nódulo mamário de consistência endurecida e fixo, em mulheres adultas de qualquer idade;
  • Nódulo mamário que vem aumentando de tamanho, em mulheres adultas de qualquer idade;
  • Descarga papilar sanguinolenta unilateral;
  • Lesão eczematosa da pele que não responde a tratamentos tópicos ou pele em casca de laranja ou retração na pele da mama;
  • Presença de linfadenopatia axilar normalmente endurecida, podendo ser fixa ou móvel. Outras cadeias de linfonodos supra ou infra-clavicular também podem estar acometidas em doenças avançadas;
  • Aumento progressivo do tamanho da mama com a presença de sinais de edema, como pele com aspecto de casca de laranja ou vermelhidão;
  • Mudança no formato do mamilo (ex.: retração unilateral);
  • Homens com tumoração palpável unilateral;
  • Mastite ou inflamação que não melhora depois de um curso adequado de antibiótico.
LEIA TAMBÉM  Doença renal pode avançar em silêncio e dar sinais que costumam ser ignorados

Fonte: CNN BRASIL

Siga-nos no

Google News

Siga nas Redes Sociais

5,000FãsCurtir
11,450SeguidoresSeguir
260SeguidoresSeguir
760InscritosInscrever

Últimas Notícias

Notícias Relacionadas