Pesquisadores apresentaram nesta semana, durante a Conferência da Organização Europeia de AVC realizada em Maastricht, na Holanda, um estudo que relaciona tanto batimentos cardíacos muito baixos quanto acelerados a um maior risco de acidente vascular cerebral. A análise acompanhou cerca de 460 mil pessoas ao longo de 14 anos a partir de dados do UK Biobank e identificou que frequências cardíacas persistentemente fora da faixa considerada normal podem indicar problemas circulatórios capazes de favorecer diferentes tipos de AVC.
A descoberta chama atenção porque o risco não apareceu apenas entre pessoas com o coração acelerado — algo já associado a doenças cardiovasculares —, mas também em indivíduos com batimentos muito baixos em repouso.
Segundo informações repercutidas pelo Live Science, os pesquisadores analisaram a chamada frequência cardíaca de repouso, medida quando o corpo está sem esforço físico. Em adultos, os valores normalmente ficam entre 60 e 100 batimentos por minuto.
Quando os números escapavam dessa faixa, o risco aumentava.
Quando o coração desacelera demais
Batimentos muito baixos, quadro conhecido como bradicardia, podem indicar que o coração não está conseguindo bombear sangue de maneira eficiente. Isso reduz o fluxo sanguíneo para o cérebro e pode favorecer a formação de coágulos ou outros problemas vasculares.
Nem sempre, porém, isso significa doença. Atletas de alto rendimento, por exemplo, costumam ter frequência cardíaca naturalmente mais baixa sem apresentar risco aumentado. Fora desse contexto, os pesquisadores afirmam que valores persistentemente reduzidos merecem atenção.
Já no caso da taquicardia, quando o coração trabalha rápido demais por longos períodos, o problema costuma vir acompanhado de sobrecarga cardíaca e maior chance de arritmias.
Uma delas preocupa especialmente os médicos: a fibrilação atrial. Nessa condição, o coração bate de forma irregular, favorecendo a formação de coágulos que podem migrar até o cérebro e provocar um AVC isquêmico.
Os sinais que acendem alerta
O estudo não afirma que alterações nos batimentos causam diretamente um AVC. A relação encontrada é de associação. Ainda assim, os dados ajudam médicos a identificar padrões que podem indicar maior vulnerabilidade cardiovascular.
Tonturas frequentes, desmaios, palpitações constantes e cansaço sem motivo aparente aparecem entre os sinais que merecem investigação.
Hoje, muita gente acompanha os próprios batimentos por relógios inteligentes e aplicativos de saúde. Os pesquisadores avaliam que esse monitoramento pode ajudar na identificação precoce de alterações importantes — principalmente em pessoas que ignoram sintomas por meses ou até anos.





