Greve geral na Argentina afeta voos, paralisa exportações e coloca governo Milei em “paredão”

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A greve geral na Argentina convocada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT) para esta quarta-feira (18) provocou a alteração das operações da Latam no país. A empresa aérea informou que alguns voos podem operar com alteração de horário e/ou data, sem necessariamente serem cancelados, após a notificação formal de adesão dos sindicatos que representam os trabalhadores da Intercargo, empresa responsável pelos serviços de rampa em todos os aeroportos argentinos.

A Latam recomenda que os passageiros verifiquem o status de seus voos antes de se dirigir ao aeroporto. Os afetados por cancelamentos ou reprogramações podem optar por alteração sem custo para uma nova data dentro de um ano a partir da data original do voo ou reembolso integral da reserva.

Paralisação atinge também o setor agroexportador

As atividades de exportação de grãos e derivados da Argentina já estavam paralisadas desde quarta-feira devido a uma greve de 48 horas dos sindicatos marítimos contra a reforma trabalhista. A paralisação afetou a atracação e desatracação de navios, o transporte de práticos e os serviços a embarcações, principalmente na área portuária de Rosário, um dos maiores centros de exportação agrícola do mundo.

“O objetivo é defender nossos direitos trabalhistas e a estabilidade de nossos empregos”, disse a Federação dos Trabalhadores Marítimos e Fluviais (Fesimaf).

O sindicato dos trabalhadores da indústria processadora de oleaginosas (SOEA) de San Lorenzo, polo agroexportador ao norte de Rosário onde se concentra a maioria das usinas de processamento de soja do país, também aderiu à greve. A Argentina é a maior exportadora mundial de óleo e farelo de soja.

Reforma trabalhista em discussão no Congresso

A greve nacional, que se estende até a meia-noite de sexta-feira (20), é um protesto contra a reforma trabalhista aprovada pelo Senado argentino na semana passada. A Câmara dos Deputados começou a analisar o projeto na quarta-feira.

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Entre as mudanças, a proposta prevê a flexibilização das férias e jornadas de trabalho de até 12 horas, com o objetivo de reduzir custos trabalhistas, ampliar a segurança jurídica e incentivar a criação de empregos formais. Também reduz os custos de demissão para os empregadores, excluindo certos bônus da fórmula de compensação.

Segundo a CGT, a reforma ameaça proteções trabalhistas antigas, incluindo o direito à greve. A expectativa do governo argentino é aprovar o texto até 1º de março.

A paralisação simultânea nos transportes aéreo, marítimo e terrestre representa um dos maiores testes de força contra o governo do presidente Javier Milei desde o início de seu mandato.

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