Governo Trump anuncia primeira execução pública nos EUA em 90 anos

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Ex-major condenado por matar 13 pessoas em base militar será fuzilado em dezembro; Pentágono planeja transmitir a execução ao vivo

O governo do presidente Donald Trump anunciou que pretende realizar a primeira execução pública nos Estados Unidos em 90 anos. O condenado é Nidal Malik Hasan, ex-major e psiquiatra do Exército americano, responsável por um ataque que deixou 13 mortos e 32 feridos em uma base militar no Texas, em 2009. O fuzilamento está marcado para 3 de dezembro de 2026 e, segundo o Pentágono, deverá ser transmitido ao vivo para a população.

O anúncio foi feito na quinta-feira (8) pelo secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, durante uma entrevista à emissora Real America’s Voice. A decisão de tornar a execução pública provocou reações de autoridades, organizações de direitos humanos e setores políticos americanos.

Embora algumas execuções por fuzilamento tenham ocorrido nos Estados Unidos nas últimas décadas, elas foram realizadas em ambientes restritos. A última execução pública amplamente reconhecida no país aconteceu em 1936, quando um homem foi enforcado diante de uma multidão no estado do Kentucky.

Quem é o militar condenado ao fuzilamento?

Nidal Malik Hasan foi major e psiquiatra do Exército dos Estados Unidos. Em 5 de novembro de 2009, ele abriu fogo contra militares e civis na base de Fort Hood, no Texas, provocando a morte de 13 pessoas e deixando outras 32 feridas.

O episódio ficou marcado como um dos ataques mais graves ocorridos em instalações militares americanas. Hasan foi atingido por disparos durante a intervenção policial que encerrou o ataque e ficou paralisado da cintura para baixo.

Durante o julgamento militar, ele admitiu ter realizado o ataque e afirmou que sua intenção era impedir que soldados americanos fossem enviados ao Afeganistão para combater muçulmanos.

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Em 2013, Hasan foi condenado à morte por uma corte militar, após ser considerado culpado por homicídios e tentativas de homicídio premeditados. Desde então, permanece sob custódia do sistema prisional militar americano.

Como será realizada a execução pública?

A execução está prevista para 3 de dezembro, na base militar de Fort Hood, no Texas, local onde ocorreu o ataque de 2009. Hasan deverá ser morto por um pelotão de fuzilamento, método que consiste na realização de disparos por militares designados para cumprir a sentença.

O secretário de Defesa, Pete Hegseth, afirmou que o procedimento será público e que a população poderá acompanhá-lo. Segundo informações divulgadas pelo Pentágono, existe um plano para transmitir a execução ao vivo.

Hegseth justificou a decisão afirmando que a divulgação permitiria demonstrar as consequências de crimes graves. Entretanto, não foram detalhados todos os procedimentos da transmissão nem esclarecido se haverá presença de público no local.

O presidente Donald Trump autorizou a execução e manifestou apoio ao cumprimento da sentença. Até esta sexta-feira (9), porém, não havia se pronunciado especificamente sobre o plano de transmissão ao vivo.

Por que a execução é considerada histórica?

O caso reúne diferentes circunstâncias que não eram registradas havia décadas nos Estados Unidos.

A última execução pública amplamente documentada aconteceu em 14 de agosto de 1936, quando Rainey Bethea foi enforcado diante de uma multidão em Owensboro, no Kentucky. Desde então, as execuções judiciais passaram a ocorrer em ambientes restritos, com acesso limitado a autoridades, familiares e testemunhas autorizadas.

Além disso, o fuzilamento de Hasan será a primeira execução realizada pelas Forças Armadas americanas desde 1961. Naquele ano, o militar John A. Bennett foi executado por enforcamento após condenação por crimes sexuais e tentativa de homicídio.

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Já a última execução militar americana por pelotão de fuzilamento ocorreu em 1945. Na ocasião, o soldado Eddie Slovik foi executado na França após ser condenado por deserção durante a Segunda Guerra Mundial.

Caso a transmissão anunciada seja realizada, o procedimento também poderá representar o primeiro caso conhecido de uma execução judicial americana exibida ao público pela internet.

Quais foram as reações à decisão do governo Trump?

O anúncio provocou críticas dentro e fora dos Estados Unidos, especialmente em relação à decisão de transformar o cumprimento de uma sentença de morte em um evento transmitido ao público.

O senador republicano Thom Tillis, da Carolina do Norte, criticou a iniciativa e comparou a prática de execuções públicas àquelas realizadas por governos autoritários. Para o parlamentar, esse tipo de procedimento não deveria ocorrer nos Estados Unidos.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos também condenou o plano de transmissão. Segundo o órgão, a exibição pública de uma execução representa uma forma de tratamento cruel, desumano ou degradante e pode contrariar normas internacionais de direitos humanos.

O vice-presidente americano, JD Vance, afirmou nesta sexta-feira (9) que não pretende acompanhar a eventual transmissão. Ele também demonstrou incerteza sobre a efetiva realização da exibição pública.

A repercussão reacendeu o debate sobre os limites da pena de morte e sobre a exposição pública de condenados durante procedimentos de execução.

A pena de morte por fuzilamento ainda existe nos Estados Unidos?

O pelotão de fuzilamento permanece autorizado como método de execução em alguns estados americanos, embora seja utilizado com pouca frequência. Entre os estados que permitem essa modalidade estão Idaho, Mississippi, Oklahoma, Carolina do Sul e Utah.

Em 2025, a Carolina do Sul voltou a utilizar o fuzilamento em uma execução, encerrando um intervalo de aproximadamente 15 anos sem registros desse método no país.

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Entretanto, a execução de Hasan ocorrerá no âmbito da Justiça Militar, que possui regras próprias para a aplicação da pena capital.

Segundo dados divulgados pelo Centro de Informações sobre Pena de Morte dos Estados Unidos, o país realizou 47 execuções em 2025, o maior número registrado desde 2009. Em 2026, até o início de outubro, outras 30 pessoas já haviam sido executadas.

A maioria das penas de morte é aplicada por injeção letal, mas dificuldades na obtenção de medicamentos e questionamentos sobre os procedimentos têm ampliado as discussões sobre métodos alternativos de execução.

Com o fuzilamento de Nidal Hasan previsto para dezembro, os Estados Unidos voltam a discutir não apenas a aplicação da pena de morte, mas também os limites éticos e jurídicos de permitir que uma execução seja acompanhada por espectadores em todo o mundo.

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