O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira (29), em Brasília, que há possibilidade de um diálogo direto entre Lula e Trump sobre as tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos às exportações brasileiras. Segundo ele, os canais institucionais de negociação seguem abertos, mas uma conversa entre os presidentes exige preparação diplomática prévia.
Preparo para diálogo entre chefes de Estado
“É papel nosso, dos ministros, justamente azeitar os canais para que a conversa, quando ocorrer, seja a mais dignificante e edificante possível”, declarou Haddad, referindo-se ao trabalho que vem sendo articulado com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e com o vice-presidente Geraldo Alckmin, que também está envolvido nas negociações com o setor produtivo.
O ministro defendeu que o Brasil atue com firmeza e equilíbrio nas conversas diplomáticas. “Tem que haver uma preparação antes para que seja uma coisa respeitosa, para que os dois povos se sintam valorizados à mesa de negociação”, destacou, criticando pressões políticas por decisões precipitadas.
Postura firme e respeitosa nas negociações
“Temos que virar a página da subserviência e, com humildade, nos colocar à mesa, respeitando os valores do nosso país”, reforçou Haddad em conversa com jornalistas no Ministério da Fazenda.
Ao mesmo tempo, uma comitiva de oito senadores brasileiros permanece em Washington para dialogar com congressistas dos EUA, numa missão diplomática paralela coordenada pelo Senado.
Empresários e sinais de abertura nos EUA
Segundo o ministro, já há sinais positivos vindos do setor privado norte-americano. “Alguns empresários estão fazendo chegar ao nosso conhecimento que estão encontrando maior abertura lá”, relatou, embora admita que não sabe se as tratativas avançarão antes do início da vigência das tarifas, marcado para 1º de agosto.
Para Haddad, o posicionamento brasileiro está se tornando mais claro para os interlocutores dos Estados Unidos. “A relação sempre foi amistosa entre os países, então não há razão para que isso mude. Não podemos permitir que temas alheios ao governo brasileiro justifiquem o aumento das tensões”, observou.
Alckmin em esforço contínuo com autoridades dos EUA
O vice-presidente Geraldo Alckmin, segundo Haddad, tem mantido conversas frequentes com o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick. “Ontem mesmo houve a terceira e mais longa conversa entre eles”, relatou o ministro da Fazenda.
O objetivo do governo é mapear claramente os interesses envolvidos para que as equipes técnicas encontrem uma solução equilibrada e duradoura para ambas as economias.
Contingenciamento para proteger empresas brasileiras
Enquanto isso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já recebeu um plano de contingenciamento elaborado pelos ministérios da Fazenda, do Desenvolvimento, das Relações Exteriores e pela Casa Civil. A proposta visa proteger empresas afetadas pelas tarifas de Trump contra o Brasil.
Entre os cenários apresentados, está a criação de um programa de manutenção do emprego, nos moldes do que vigorou durante a pandemia da covid-19. “Lula decidirá sobre a escala, o montante, a oportunidade e a data das medidas”, informou Haddad, sem antecipar qual proposta será adotada.
“O Brasil estará preparado para cuidar das suas empresas e dos seus trabalhadores, sem abrir mão do diálogo racional, do respeito mútuo e do estreitamento das relações com os Estados Unidos”, finalizou.
Entenda o tarifaço imposto por Trump
No dia 9 de julho, o presidente Donald Trump enviou uma carta oficial ao presidente Lula comunicando a imposição de uma tarifa de 50% sobre todas as importações brasileiras a partir de 1º de agosto. A medida foi justificada por uma suposta relação “injusta” no comércio bilateral, mesmo com o Brasil acumulando déficit comercial com os EUA há 17 anos.
Trump também citou restrições às plataformas digitais norte-americanas e o processo por tentativa de golpe contra Jair Bolsonaro como argumentos. Além disso, foi aberta uma investigação contra o Pix, acusado de prática desleal de mercado, o que poderia afetar empresas como Visa, MasterCard e Whatsapp Pay, da Meta.





