Inflação desacelera em outubro, mas alimentos continuam mais caros

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A prévia da inflação brasileira desacelerou para 0,32% em outubro de 2026, após registrar 0,70% em setembro. Apesar da redução no ritmo de alta dos preços, os alimentos ficaram mais caros e voltaram a pressionar o orçamento das famílias, especialmente produtos como tomate, cebola, batata e arroz.

Os dados são do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Com o resultado de outubro, o indicador acumula alta de 4,15% em 2026 e de 4,62% nos últimos 12 meses. No mesmo mês de 2025, a variação havia sido de 0,18%.

A desaceleração do índice geral não significa que os preços diminuíram. Na média, eles continuaram subindo, mas em ritmo inferior ao observado no mês anterior.

Tomate, cebola e batata puxam alta dos alimentos

O grupo Alimentação e Bebidas registrou aumento de 0,88% em outubro, a maior variação entre os nove grupos pesquisados pelo IBGE.

A alimentação dentro de casa ficou 1,01% mais cara, acelerando em relação à alta de 0,38% registrada em setembro.

O tomate apresentou um dos aumentos mais expressivos, com alta de 24,54% em apenas um mês. Outros produtos também tiveram reajustes importantes:

  • Tomate: alta de 24,54%;

  • Cebola: alta de 13,63%;

  • Batata-inglesa: alta de 10,96%;

  • Arroz: alta de 5,80%.

Por outro lado, alguns alimentos ficaram mais baratos. A cenoura registrou queda de 10,67%, enquanto as frutas recuaram 1,37% e o café moído ficou 1,16% mais barato.

Os resultados mostram que, mesmo com a desaceleração da inflação geral, o consumidor encontrou aumentos relevantes em produtos presentes no dia a dia.

Comer fora de casa também ficou mais caro

O custo da alimentação fora do domicílio também avançou em outubro.

Segundo o IBGE, a variação passou de 0,44% em setembro para 0,56% em outubro.

O preço das refeições subiu 0,61%, enquanto os lanches registraram aumento de 0,66%.

Essas variações contribuíram para que Alimentação e Bebidas fosse o grupo com maior impacto sobre a inflação do mês, respondendo por 0,19 ponto percentual do IPCA-15.

Conta de luz cai e ajuda a conter inflação

Enquanto os alimentos pressionaram os preços, o grupo Habitação apresentou queda de 0,10% em outubro, depois de subir 2,07% em setembro.

O principal fator foi a energia elétrica residencial, que passou de uma alta de 7,42% para uma redução de 0,89%.

A mudança está relacionada à passagem da bandeira tarifária amarela para a verde, que não prevê cobrança adicional na conta de energia.

Entretanto, nem todos os custos relacionados à moradia diminuíram.

O gás de botijão ficou 1,28% mais caro, enquanto o aluguel residencial apresentou aumento de 0,28%.

Gasolina, diesel e etanol registram aumento

No grupo Transportes, a inflação foi de 0,05% em outubro, mas os combustíveis apresentaram alta de 1,20%.

Entre os principais aumentos estão o óleo diesel, que subiu 3,70%, o etanol, com avanço de 2,73%, e a gasolina, que ficou 0,92% mais cara.

Em sentido contrário, as passagens aéreas registraram queda de 9,24%, contribuindo para conter o resultado geral do grupo.

Belém registra maior inflação entre as regiões pesquisadas

O levantamento também identificou diferenças importantes entre as localidades acompanhadas pelo IBGE.

Belém apresentou a maior variação do IPCA-15 em outubro, com alta de 0,76%.

O resultado foi influenciado pelo aumento de 17,55% no preço do tomate e de 3,71% na energia elétrica residencial.

Belo Horizonte apareceu em seguida, com inflação de 0,59%, enquanto Goiânia registrou 0,44%.

São Paulo apresentou alta de 0,34%, e o Rio de Janeiro teve variação de 0,22%.

Curitiba foi a única área pesquisada com resultado negativo, registrando queda de 0,27%. O recuo foi influenciado principalmente pela redução dos preços das passagens aéreas e das tarifas de água e esgoto.

O que é o IPCA-15 e como ele afeta o consumidor?

O IPCA-15 é considerado uma prévia da inflação oficial do Brasil. O indicador acompanha a variação dos preços de produtos e serviços consumidos por famílias com rendimentos de 1 a 40 salários mínimos.

A metodologia é semelhante à utilizada no IPCA, mas o período de coleta e a abrangência geográfica são diferentes.

Para o resultado de outubro de 2026, o IBGE pesquisou preços entre 16 de setembro e 14 de outubro, comparando-os aos valores observados no período anterior.

Embora a inflação tenha desacelerado, os aumentos nos alimentos mostram que a redução do índice geral não representa necessariamente alívio imediato nas despesas das famílias.

O comportamento dos preços de produtos essenciais continua sendo um dos principais fatores para avaliar o impacto da inflação sobre o poder de compra da população.

Fonte: IBGE

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