sábado, 11 abril, 2026

BYD é incluída em lista de empregadores por condições análogas à escravidão

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O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) divulgou nesta terça-feira (7) a atualização do Cadastro de Empregadores que tenham submetido trabalhadores a condições análogas à escravidão. Entre os 169 novos nomes incluídos está a montadora chinesa BYD, instalada em Camaçari (BA), no antigo complexo industrial da Ford.

A lista é divulgada semestralmente pelo ministério nos meses de abril e outubro. Com a atualização, o cadastro subiu para 613 nomes, um aumento de 6,28% em relação à edição anterior.

Investigação resgatou 163 trabalhadores em condições degradantes

Entre dezembro de 2024 e maio de 2025, a fiscalização do MTE na Bahia realizou diligências na obra e nos alojamentos de trabalhadores migrantes envolvidos na construção da unidade industrial da BYD. Em 19 de dezembro de 2024, foram identificados 471 trabalhadores chineses trazidos de forma irregular ao Brasil, dos quais 163 foram resgatados em condições análogas à escravidão.

A investigação concluiu que a montadora teve responsabilidade direta pela vinda irregular dos trabalhadores, incluindo os resgatados, para atuar nas obras. Embora a BYD tenha apresentado contratos de prestação de serviços com outras empresas, os auditores-fiscais constataram que, na prática, os trabalhadores estavam subordinados diretamente à montadora.

Trabalho forçado, jornada exaustiva e alojamentos precários

Os fiscais identificaram três elementos principais: trabalho forçado, condições degradantes e jornada exaustiva. Os trabalhadores dormiam em camas sem colchões, não dispunham de armários e mantinham pertences misturados a ferramentas e alimentos. Em um dos alojamentos, havia apenas um banheiro para cada 31 pessoas.

A jornada era de, no mínimo, 10 horas diárias, sem folgas regulares. Também foi constatada restrição à liberdade de locomoção: os trabalhadores precisavam de autorização até para ir ao mercado. Em janeiro deste ano, a BYD fechou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público do Trabalho (MPT) no valor de R$ 40 milhões.

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Além da BYD, a lista incluiu o nome de um cantor e empresário do agronegócio, autuado por condições análogas à escravidão envolvendo 14 trabalhadores em dois sítios. Segundo sua assessoria, foi assinado TAC com o MPT e as obrigações trabalhistas já foram quitadas.

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