BYD é incluída em lista de empregadores por condições análogas à escravidão

Compartilhe essa notícia:

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) divulgou nesta terça-feira (7) a atualização do Cadastro de Empregadores que tenham submetido trabalhadores a condições análogas à escravidão. Entre os 169 novos nomes incluídos está a montadora chinesa BYD, instalada em Camaçari (BA), no antigo complexo industrial da Ford.

A lista é divulgada semestralmente pelo ministério nos meses de abril e outubro. Com a atualização, o cadastro subiu para 613 nomes, um aumento de 6,28% em relação à edição anterior.

Investigação resgatou 163 trabalhadores em condições degradantes

Entre dezembro de 2024 e maio de 2025, a fiscalização do MTE na Bahia realizou diligências na obra e nos alojamentos de trabalhadores migrantes envolvidos na construção da unidade industrial da BYD. Em 19 de dezembro de 2024, foram identificados 471 trabalhadores chineses trazidos de forma irregular ao Brasil, dos quais 163 foram resgatados em condições análogas à escravidão.

A investigação concluiu que a montadora teve responsabilidade direta pela vinda irregular dos trabalhadores, incluindo os resgatados, para atuar nas obras. Embora a BYD tenha apresentado contratos de prestação de serviços com outras empresas, os auditores-fiscais constataram que, na prática, os trabalhadores estavam subordinados diretamente à montadora.

Trabalho forçado, jornada exaustiva e alojamentos precários

Os fiscais identificaram três elementos principais: trabalho forçado, condições degradantes e jornada exaustiva. Os trabalhadores dormiam em camas sem colchões, não dispunham de armários e mantinham pertences misturados a ferramentas e alimentos. Em um dos alojamentos, havia apenas um banheiro para cada 31 pessoas.

A jornada era de, no mínimo, 10 horas diárias, sem folgas regulares. Também foi constatada restrição à liberdade de locomoção: os trabalhadores precisavam de autorização até para ir ao mercado. Em janeiro deste ano, a BYD fechou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público do Trabalho (MPT) no valor de R$ 40 milhões.

LEIA TAMBÉM  Lua do Cervo e chuvas de meteoros prometem espetáculo no céu no fim de julho; saiba como observar

Além da BYD, a lista incluiu o nome de um cantor e empresário do agronegócio, autuado por condições análogas à escravidão envolvendo 14 trabalhadores em dois sítios. Segundo sua assessoria, foi assinado TAC com o MPT e as obrigações trabalhistas já foram quitadas.

Siga-nos no

Google News

Siga nas Redes Sociais

5,000FãsCurtir
11,450SeguidoresSeguir
260SeguidoresSeguir
760InscritosInscrever

Últimas Notícias

Notícias Relacionadas

Chapecó lidera Parajasc com 37 pontos após cinco dias de disputas

Atletismo rendeu 27 medalhas, com destaques para Luana Gastring, Angélica Hansen e Fabiane Sander....

Alcolumbre envia à CCJ PECs do fim da escala 6×1 e da Segurança Pública

Propostas terão relatoria de Omar Aziz e Rogério Carvalho; PEC da jornada reduz carga...

Fossá defende força do Oeste

Candidato cita saúde, habitação e infraestrutura como prioridades A Folha Desbravador iniciou uma série de...

PM apreende 862g de maconha e recupera placas de motos furtadas no Bela Vista, em Chapecó

Quatro pessoas foram conduzidas à delegacia; ocorrência apura possível ligação com organização criminosa que...