Estresse pode desencadear crises de enxaqueca; entenda a relação

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O Dia Mundial de Combate ao Estresse foi criado e é lembrado nesta quarta-feira (23) para discutir os efeitos da sobrecarga emocional no corpo, e a enxaqueca entra nessa conversa porque pode ser desencadeada por estresse. As crises atingem cerca de 15% da população mundial e mais de 30 milhões de brasileiros, segundo a OMS.

Enxaqueca e saúde mental se alimentam uma da outra

A relação entre enxaqueca e saúde mental é uma via de mão dupla. O estresse, a ansiedade e a depressão podem aumentar a frequência e a intensidade das crises. Ao mesmo tempo, viver com uma doença crônica e imprevisível também pesa no bem-estar psicológico.

Thais Villa, neurologista e fundadora do Headache Center Brasil, diz que o medo constante de novas crises pode piorar a saúde emocional. “A enxaqueca não termina quando a dor passa. O paciente muitas vezes vive antecipando a próxima crise, reorganizando compromissos, faltando ao trabalho e tentando identificar o que pode desencadear uma nova dor. Essa condição de alerta constante pode impactar diretamente a saúde emocional”, afirma a neurologista.

Segundo ela, cansaço persistente, alterações do sono, ansiedade, tristeza e esgotamento emocional merecem atenção, sobretudo quando aparecem junto com crises recorrentes de dor de cabeça. O controle da enxaqueca não deve se limitar a tratar a dor naquele momento; também é preciso olhar para o sono, a saúde emocional, a frequência das crises e o uso de medicamentos.

Quando o remédio vira parte do problema

A OMS coloca a enxaqueca entre as principais causas de incapacidade no mundo. A doença pode afetar concentração, produtividade, energia e desempenho profissional. Pessoas que convivem com ela perdem, em média, 4,6 dias de trabalho por mês, e quase 70% relatam impactos significativos na vida profissional.

O uso repetido de analgésicos e anti-inflamatórios para tentar seguir a rotina pode agravar o quadro e provocar a chamada “dor de rebote” por uso excessivo de medicamentos. “Muitos pacientes acreditam que precisam simplesmente suportar a dor ou tomar um analgésico para continuar trabalhando. Mas, quando as crises são frequentes, é fundamental buscar diagnóstico e tratamento adequados. A automedicação recorrente pode fazer parte do problema, e não da solução”, afirma Thais Villa.

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Embora a enxaqueca não tenha cura, ela pode ser controlada para que a vida do paciente não gire em torno do medo da próxima crise. Entre as opções citadas está o Tratamento 360º, que busca atuar nas causas e gatilhos da doença com medidas preventivas modernas: toxina botulínica, aplicada com foco terapêutico no alívio e prevenção das crises; anticorpos monoclonais anti-CGRP, medicamentos desenvolvidos para atuar diretamente nos mecanismos neurológicos da dor; e acompanhamento multiprofissional voltado à higiene do sono, ao manejo do estresse e ao equilíbrio emocional.

As informações são da CNN Brasil.

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