Vacina contra o câncer reduz risco de melanoma em 42%

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A Moderna e a Merck disseram na quinta-feira (22) que a vacina contra o câncer baseada em RNA mensageiro, usada com a imunoterapia da Merck, reduziu em 42% o risco de morte ou recorrência de melanoma em um grande ensaio clínico, com dados que apontam para um tratamento mais personalizado. O estudo foi feito em fase 3, envolveu mais de 1.100 pacientes e também mostrou queda de 38% no risco de disseminação do câncer.

O que os dados mostram sobre a vacina contra o câncer

Os resultados são os primeiros a mostrar que uma vacina feita a partir de mutações exclusivas do tumor de cada paciente, combinada com um remédio que ajuda o sistema imunológico a atacar o câncer, pode manter a doença sob controle. A vacina, chamada intismeran autogene, foi testada junto com o Keytruda, imunoterápico da Merck que está entre os medicamentos mais vendidos do mundo.

O Keytruda remove um mecanismo natural de bloqueio usado pelas células cancerígenas para escapar do ataque do sistema imunológico. A vacina faz o caminho oposto: instrui as células do paciente a produzir cópias de mutações específicas, para que o sistema imunológico consiga reconhecê-las e destruí-las.

Alguns analistas disseram que os dados podem preocupar investidores sobre até onde essa tecnologia pode ir em outros tipos de câncer. O Keytruda tem aprovação para 19 tipos de câncer.

As ações da Moderna dispararam depois que as empresas anunciaram, em agosto, o sucesso do ensaio clínico sem divulgar os dados efetivos e quase quadruplicaram até o fechamento de quarta-feira (21). Nesta quinta-feira, porém, os papéis da companhia caíram mais de 17% depois que os resultados vazaram mais cedo em um site especializado em oncologia. As ações da Merck fecharam em baixa de cerca de 1,8%.

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O mercado reagiu antes mesmo da apresentação em Madri

Stephane Bancel, CEO da Moderna, disse que os dados sinalizam um novo capítulo no tratamento do câncer. “Com essa capacidade de criar novas células T específicas para o seu tumor […], o impacto clínico é muito profundo e, como vimos no ensaio de fase 2, muito duradouro”, disse Bancel em entrevista.

Segundo o executivo, as empresas estão se preparando para pedir aprovação nos Estados Unidos e esperam lançar a vacina contra o câncer em 2027. Ele também afirmou que a combinação de intismeran e Keytruda já está sendo testada em outros tipos de câncer, incluindo rim, bexiga e pulmão.

Bancel disse acreditar que a vacina deve ampliar a eficácia “em todos os casos em que o Keytruda funciona”, mas ainda é preciso determinar em que medida ela melhorará os resultados. O CEO também afirmou que o intismeran pode funcionar sozinho como tratamento para cânceres em estágio inicial.

Os resultados do ensaio sobre melanoma serão apresentados no sábado, durante a reunião da Sociedade Europeia de Oncologia Médica, em Madri. Os dados se baseiam nos dois primeiros anos após o tratamento.

Entre os pacientes que receberam a vacina com Keytruda, 82,2% continuavam livres do câncer após dois anos; entre os que receberam apenas Keytruda, eram 70%. “Isso é altamente significativo do ponto de vista estatístico. Não aconteceu por acaso”, afirmou Hussein Tawbi, médico especialista em melanoma e investigador do ensaio clínico no Centro de Câncer MD Anderson da Universidade do Texas.

Antes da reunião, vários analistas de Wall Street disseram que investidores esperavam uma redução do risco de recorrência de 40% ou mais. “Vemos o otimismo diminuir em relação ao potencial de franquias multibilionárias do intismeran na área de oncologia”, escreveu Trung Huynh, analista do RBC. “Esses dados nos deixam menos otimistas, já que o melanoma deveria representar o melhor cenário possível.”

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O ensaio testou nove doses da vacina com Keytruda a partir de 13 semanas após a cirurgia para remover as lesões de melanoma. A resposta ao tratamento combinado foi comparada à dos pacientes tratados apenas com Keytruda, uma terapia padrão para melanoma. As informações são da CNN Brasil.

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