O Irã lançou mísseis contra Israel nesta terça-feira (24), segundo as Forças Armadas israelenses, um dia depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que houve conversações “muito boas e produtivas” com o objetivo de interromper o conflito no Oriente Médio. Três autoridades israelenses, falando sob condição de anonimato, disseram que Trump parecia determinado a chegar a um acordo, mas que achavam altamente improvável que o Irã concordasse com as exigências dos EUA.
Após o comentário de Trump no Truth Social, o Irã disse que nenhuma negociação havia sido feita. A embaixada iraniana na África do Sul publicou imagem no X zombando da ideia de Trump, transmitida aos repórteres, de que ele poderia controlar o Estreito de Ormuz ao lado do líder supremo do Irã.
Ataques e retaliação
Os EUA e Israel lançaram ataques contra o Irã em 28 de fevereiro, após informarem que não conseguiram avançar nas negociações para acabar com o programa nuclear iraniano. A crise aumentou em todo o Oriente Médio. O Irã atacou países que abrigam bases norte-americanas, atingiu importante infraestrutura de energia e praticamente fechou o Estreito de Ormuz, canal por onde passa um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo.
Nesta terça-feira, mísseis iranianos dispararam sirenes de ataque aéreo em Tel Aviv, onde buracos foram abertos em um prédio de apartamentos de vários andares. O Serviço de Bombeiros e Resgate de Israel disse que estava procurando por civis presos em um prédio e descobriu civis em abrigo em outro edifício danificado.
As Forças Armadas de Israel informaram que seus caças promoveram grande onda de ataques no centro de Teerã, tendo como alvos principais centros de comando, incluindo instalações associadas ao braço de inteligência da Guarda Revolucionária Islâmica e ao Ministério da Inteligência. Disseram ter atingido também mais de 50 outros alvos durante a noite.
Trump suspende ataques; Irã nega negociações
Trump disse na segunda-feira (23) que estava adiando por cinco dias um plano para atacar as usinas de energia do Irã, se o país não reabrisse o Estreito de Ormuz. O Irã havia prometido responder a esses ataques alvejando a infraestrutura dos aliados dos EUA no Oriente Médio.
O recuo de Trump fez com que os preços das ações subissem e os preços do petróleo caíssem drasticamente para menos de US$ 100 por barril. No entanto, esses ganhos foram ameaçados depois que o presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf, disse que não houve negociações.
“Nenhuma negociação foi realizada com os EUA, e as fake news são usadas para manipular os mercados financeiros e de petróleo e escapar do atoleiro em que os EUA e Israel estão presos”, escreveu ele no X. O Ministério das Relações Exteriores do Irã, no entanto, mencionou iniciativas para reduzir as tensões.
Reuniões e perspectivas
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que conversou com Trump menos de 48 horas antes do início dos ataques, deve convocar uma reunião de autoridades de segurança para discutir a proposta de Trump de um acordo com o Irã, segundo autoridades israelenses. Uma autoridade paquistanesa afirmou que conversações diretas podem ser feitas em Islamabad nesta semana.





