sábado, 30 maio, 2026

Greve dos caminhoneiros: categoria define data de paralisação em meio à alta do diesel

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A iminência de uma greve dos caminhoneiros já está alterando a rotina de parte da categoria. Profissionais do volante, diante da possibilidade de ficarem parados nas rodovias em bloqueios país afora, estão evitando pegar a estrada. O governo federal corre contra o tempo para evitar o movimento grevista, motivado pela disparada no preço do óleo diesel, que já acumula alta de quase 19% desde o fim de fevereiro.

Representantes da categoria se reúnem hoje para definir a data oficial do movimento, que já conta com o aval de lideranças de vários estados. A expectativa é que a paralisação comece oficialmente nesta quinta-feira (19), às 13h.

Fluxo normal em SC, mas PRF monitora

Nesta manhã de quarta-feira (18), na BR-101, no Extremo Sul catarinense, ainda não há sinais de qualquer alteração no fluxo de veículos de carga. “Todas as rodovias federais de Santa Catarina estão com fluxo normal na manhã desta quarta, dia 18”, informou à reportagem o chefe do núcleo de comunicação da Polícia Rodoviária Federal no Estado, Adriano Fiamoncini.

No entanto, sobre a ação da PRF numa possível greve, o policial informa que a corporação está monitorando a situação. “Por enquanto, a corporação não irá se manifestar sobre algo que ainda é uma hipótese e sobre o qual não temos nenhuma informação oficial dos possíveis organizadores”, informou Fiamoncini.

Por que a categoria quer parar?

A pressão vem do custo do diesel, que subiu de forma acelerada nas últimas semanas, impulsionado pela alta do petróleo no mercado internacional em meio à escalada de tensões no Oriente Médio.

Dados do setor indicam que o preço do diesel acumulou aumento próximo de 19% desde o fim de fevereiro. O reajuste ocorreu mesmo após o governo federal anunciar, no início de março, a zeragem das alíquotas de PIS/Cofins e a criação de uma subvenção para reduzir o preço do combustível. Na prática, porém, o alívio foi neutralizado por um reajuste de 38 centavos por litro promovido pela Petrobras nas refinarias no dia seguinte ao anúncio.

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Para os caminhoneiros, a combinação entre medidas fiscais e política de preços da estatal gerou frustração. “O governo tem que assumir responsabilidade. Já sabia que a Petrobras ia aumentar o diesel depois das medidas, então, na prática, não resolveu nada para a gente”, afirmou o presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, conhecido como Chorão.

A categoria cobra o acionamento do “gatilho do frete”, mecanismo criado após a greve de 2018 que prevê reajustes automáticos nos valores do transporte sempre que o combustível sobe. Segundo os caminhoneiros, a medida não vem sendo aplicada pela ANTT.

Impacto do diesel na economia

O impacto do diesel vai além do setor de transporte. O combustível é um insumo-chave para a logística e, quando encarece, pressiona fretes, alimentos e serviços. Esse efeito em cadeia tende a chegar rapidamente ao consumidor e, historicamente, se traduz em desgaste político para o governo de plantão.

Uma eventual paralisação generalizada interromperia o fluxo de insumos básicos — fertilizantes, grãos, alimentos perecíveis e medicamentos —, provocando escalada na inflação de alimentos, já que o Brasil depende de rodovias para cerca de 60-65% do escoamento de cargas.

Orientação das lideranças

A orientação inicial das lideranças é que a paralisação ocorra, em um primeiro momento, sem bloqueios de rodovias, como forma de evitar multas. A estratégia prevê que motoristas deixem de rodar ou permaneçam parados em pontos de apoio, como postos de combustível. A possibilidade de interdição de estradas, no entanto, não está descartada.

Entidades como a CNTTL (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística) e a Abrava orientam que as estradas não sejam bloqueadas, sugerindo que os motoristas fiquem em casa ou parados em postos.

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Investigações sobre preços abusivos

Paralelamente à mobilização, a Polícia Federal instaurou um inquérito para apurar a suspeita de formação de cartel e aumentos injustificados nos preços dos combustíveis em todo o país. A ANP (Agência Nacional do Petróleo), em conjunto com Procons estaduais, realizou uma operação de fiscalização em 42 postos em dez unidades da federação.

Em Santa Catarina, o Procon identificou que 61 postos de combustíveis não repassaram a redução aos consumidores. Agora, eles têm o prazo de cinco dias úteis para apresentar justificativas ao órgão.

A categoria segue monitorando os desdobramentos das negociações com o governo federal enquanto aguarda uma definição sobre a data oficial da paralisação.

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