Santa Catarina intensifica o combate à hanseníase e alerta para diagnóstico tardio

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Santa Catarina possui baixa endemicidade de hanseníase, registrando 1,59 caso por 100 mil habitantes em 2024. O Hospital Santa Teresa é referência no estado. O desafio atual é reduzir o diagnóstico tardio, que atingiu 16% dos pacientes, prevenindo sequelas físicas permanentes através do SUS.

Conscientização e diagnóstico precoce

O Dia Mundial de Combate e Prevenção à Hanseníase é celebrado este ano no dia 25 de janeiro, último domingo do mês. A mobilização em Santa Catarina busca sensibilizar a sociedade para a eliminação da doença como problema de saúde pública, fortalecer o diagnóstico precoce e combater o estigma. A hanseníase tem cura e o tratamento é gratuito e seguro, disponível integralmente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Causada por uma bactéria, a hanseníase é uma doença infectocontagiosa transmitida principalmente pelas secreções respiratórias e pelo contato íntimo e prolongado com pessoas infectadas que não iniciaram o tratamento. Os sinais iniciais incluem manchas esbranquiçadas ou avermelhadas na pele com perda de sensibilidade, dormência, redução da força em extremidades e queda de pelos.

Panorama epidemiológico em Santa Catarina

O Brasil ocupa a segunda posição mundial em número de novos casos. Em 2024, o país notificou 22.129 ocorrências, com uma taxa de 10,41 casos por 100 mil habitantes, patamar considerado de alta endemicidade pelo Ministério da Saúde. Desse total, 921 diagnósticos foram em menores de 15 anos.

Santa Catarina, por outro lado, mantém indicadores favoráveis, figurando entre os estados com menores taxas de detecção. No ano de 2024, foram registrados 128 casos (taxa de 1,59 por 100 mil habitantes), sendo quatro em crianças. Contudo, a Secretaria de Estado da Saúde alerta que 16% dos novos casos foram detectados já com grau 2 de incapacidade física, indicando sequelas visíveis.

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Referência em atendimento e capacitação

Para o suporte aos pacientes, o estado conta com o Hospital Santa Teresa, em São Pedro de Alcântara. A unidade é o serviço de destaque estadual em hanseníase, atendendo casos de dúvida diagnóstica, reações hansênicas e neurites. O atendimento é realizado por equipe multidisciplinar com médicos, enfermeiros e fisioterapeutas, operando em regimes ambulatorial e de internação.

Além da assistência direta, o hospital atua na formação profissional por meio de residência médica em dermatologia e capacitações contínuas para equipes de saúde de todas as regiões catarinenses.

Estratégias de vigilância e dados preliminares

A infectologista Regina Valim, da Diretoria de Vigilância Epidemiológica, reforça a importância do monitoramento próximo. “Uma das principais estratégias para o diagnóstico precoce é o exame de contatos — pessoas que convivem ou conviveram de forma próxima e prolongada com casos de hanseníase. Em 2024, 78,2% dos contatos dos casos novos em Santa Catarina foram avaliados, índice que evidencia a necessidade de fortalecimento das ações de vigilância, acompanhamento e cuidado contínuo”, afirma.

Dados preliminares de 2025 do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan Net) apontam:

  • 121 casos novos detectados na população geral;
  • Dois casos identificados em menores de 15 anos;
  • 16,7% dos pacientes diagnosticados com grau 2 de incapacidade física;
  • Proporção de cura em 66,5%.

Os indicadores de 2025 ainda passarão por atualização e consolidação até o final de março. Após a cura, as autoridades recomendam o acompanhamento periódico para identificar possíveis reações tardias e garantir a qualidade de vida do paciente.

Fonte: Secom

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