Justiça de SC permite entrada de tilápia do Vietnã sob condições sanitárias rigorosas

Compartilhe essa notícia:

A Justiça de Santa Catarina concedeu uma liminar para viabilizar a entrada de cargas de tilápia importadas do Vietnã que estavam contratadas antes da vigência de uma portaria restritiva. A decisão, que busca um equilíbrio entre o direito comercial e a saúde pública, permite o ingresso dessas mercadorias, mas impõe um rígido protocolo sanitário. A venda, no entanto, permanece proibida até que todas as análises comprovem a ausência do vírus que ameaça a piscicultura catarinense.

A Portaria SAQ nº 010/2025, publicada em 17 de dezembro de 2025 pela Secretaria Executiva da Aquicultura e Pesca de SC, proíbe a entrada, trânsito e comercialização de tilápia vietnamita no estado. O objetivo é proteger o rebanho local do Tilapia Lake Virus (TiLV), um agente patogênico de alto risco. A liminar não revoga a portaria, mas cria uma exceção transitória e condicional para importações já em trânsito.

Condições sanitárias obrigatórias para o desembaraço

A liminar estabelece um conjunto preciso de exigências que as empresas importadoras devem cumprir para que as cargas possam ser descarregadas em solo catarinense. O descumprimento de qualquer item inviabiliza a operação. São elas:

  • Documentação completa: Apresentação de toda a papelada sanitária e aduaneira exigida para a importação.
  • Armazenamento inspecionado: A tilápia deve ser estocada em instalações sob vigilância oficial, isolada de outros produtos.
  • Laudo laboratorial negativo: É obrigatória a apresentação de laudo oficial atestando a ausência do TiLV na carga específica.
  • Proibição de venda: Fica expressamente vedada a comercialização e distribuição até uma manifestação final e favorável da autoridade sanitária estadual.

Essas medidas buscam criar uma barreira de contenção, mitigando o risco de contaminação enquanto se resguarda o patrimônio dos importadores que já haviam fechado negócio.

Motivação da portaria: proteger a piscicultura local

A proibição geral, mantida pela Justiça para contratos futuros, tem base técnica sólida. Pareceres da Epagri e da UFSC alertaram que o TiLV pode causar mortalidade em massa em tilápias e que o processo comum de congelamento não inativa totalmente o vírus.

LEIA TAMBÉM  Quatro em cada dez brasileiros nunca ouviram falar em economia circular, aponta pesquisa

Santa Catarina é o quarto maior produtor de tilápia do Brasil, com uma cadeia produtiva que gera milhares de empregos e movimenta a economia do interior. A introdução do vírus poderia causar prejuízos incalculáveis e manchar o status sanitário diferenciado que o estado conquistou. A portaria foi uma aplicação do princípio da precaução, muito utilizado no direito ambiental e sanitário.

O que motivou a decisão judicial da liminar?

O desembargador reconheceu o periculum in mora, ou seja, o risco de dano grave e irreparável aos importadores. As cargas já estavam embarcadas e rumo ao Brasil quando a portaria foi publicada. A demora na solução causaria:

  1. Custos exorbitantes com taxas portuárias de atraso (demurrage) e armazenagem.
  2. Risco de perecimento total da mercadoria, um prejuízo financeiro direto.
  3. Quebra de contratos internacionais, prejudicando a confiança dos negócios.

A solução intermediária encontrada pela Justiça tenta conciliar esses interesses econômicos legítimos com o dever do Estado de proteger a saúde animal e a economia local de um risco biológico real.

Impacto e próximos passos para importadores e produtores

A decisão traz alívio imediato, mas também responsabilidades extras para as empresas envolvidas. Elas terão que arcar com os custos das análises laboratoriais específicas e do armazenamento controlado, sem garantia de que, ao final, poderão comercializar o produto.

Para os produtores locais de tilápia, a liminar mantém a proteção essencial: a tilápia importada não circulará livremente. A vigilância sanitária reforçada sobre essas cargas é vista como um mal necessário para resolver um problema pontual, sem abrir um precedente perigoso.

A portaria estadual permanece em pleno vigor para todas as importações contratadas após sua publicação. O caso é um exemplo clássico do delicado equilíbrio que o Poder Judiciário precisa encontrar entre o comércio globalizado e as políticas sanitárias de defesa agropecuária de um estado.

LEIA TAMBÉM  Confiança dos empresários do comércio em Santa Catarina volta a crescer após cinco meses de queda

Siga-nos no

Google News

Siga nas Redes Sociais

5,000FãsCurtir
11,450SeguidoresSeguir
260SeguidoresSeguir
760InscritosInscrever

Últimas Notícias

Notícias Relacionadas

Chapecoense recebe o Flamengo na Arena Condá em duelo de urgência contra ambição

Verdão tenta reação para sair da lanterna; Rubro-Negro mira a liderança. Ingressos esgotados garantem...

Rafael Lacerda projeta Chapecoense competitiva contra o Flamengo: “Vamos tentar competir dentro do que é possível”

Técnico do Verdão reconhece momento delicado, mas aposta em evolução e mudanças na proposta...

Homem é preso por tráfico de drogas no bairro Alvorada durante a Operação Protetor

PM apreendeu cocaína, maconha, R$ 900,00 e balança de precisão na residência do suspeito,...

GAECO deflagra Operação Rota Segura em Chapecó para apurar crimes contra adolescentes

Investigação teve início após motorista de plataforma de mobilidade urbana reportar situação de risco...