94% das prefeituras dependem de repasse extra para pagar 13º salário, aponta CNM

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A situação fiscal das prefeituras brasileiras ainda é desafiadora, mas com algum alívio no fim do ano. Um levantamento da Confederação Nacional de Municípios (CNM) revela que 94,7% das prefeituras afirmam que o repasse extra de 1% do FPM será decisivo para pagar o 13º salário aos servidores.

A pesquisa, que ouviu gestores de 75% dos municípios do país, também mostra que a ampla maioria (98%) está com a folha de pagamento em dia, incluindo a de dezembro. No entanto, o ano de 2025 foi marcado por dificuldades financeiras que devem se estender para 2026.

Falta de recursos foi o principal desafio das prefeituras em 2025

Os gestores municipais apontaram os maiores entraves enfrentados no primeiro ano da nova gestão (2025-2028). A crise financeira e a falta de recursos lideram a lista, sendo citada por 80,2% dos entrevistados. Outros desafios significativos foram:

  • Instabilidade política e econômica (67,5%);
  • Gestão da saúde (63,4%);
  • Reajustes salariais concedidos ao longo do ano (62,2%).

Esses dados revelam um cenário de orçamentos apertados e pressão por serviços públicos essenciais, como a saúde. O presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, destaca que, apesar das dificuldades, as prefeituras chegam ao fim do ano com maior controle fiscal.

Expectativas para 2026: otimismo moderado e receio de “pautas-bombas”

As projeções dos gestores para a economia no próximo ano estão divididas. Há um leve viés otimista, mas com cautela:

  • 44,6% acreditam que a economia será boa ou muito boa.
  • 35,8% demonstram pessimismo.
  • 16% não projetam um cenário claramente positivo ou negativo.

Ziulkoski alerta para os riscos do cenário político do próximo ano. “Acreditamos que o ano de 2026 trará desafios significativos, que podem ser acentuados com o cenário político-eleitoral, na medida em que podem ser aprovadas pautas-bombas com custos insustentáveis para as finanças municipais”, avalia.

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Adicional de 1% do FPM cumpriu papel crucial no fim do ano

O levantamento anual da CNM reforça a importância do aumento temporário de 1% no Fundo de Participação dos Municípios (FPM), uma conquista da entidade. O repasse extra garantiu a liquidez necessária para que a grande maioria das prefeituras honrasse o pagamento do 13º salário.

Os resultados indicam um planejamento fiscal consistente na reta final de 2025, com reduzida incidência de atrasos salariais e alta capacidade de encerramento das contas do ano. No entanto, a dependência desse recurso extraordinário evidencia a fragilidade estrutural das finanças municipais, que entram em 2026 sob a sombra da incerteza econômica e da pressão por mais gastos.

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