Lula sanciona isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil

Compartilhe essa notícia:

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, nesta quarta-feira (26), a lei que amplia a isenção do Imposto de Renda (IR) para trabalhadores que recebem até R$ 5 mil por mês e aumenta a tributação sobre altas rendas. A medida, uma das principais promessas de campanha de Lula em 2022, passa a valer a partir de janeiro e deve beneficiar mais de 15 milhões de brasileiros.

Durante a cerimônia, Lula reforçou que a iniciativa tem foco na justiça social e no combate à desigualdade. O presidente afirmou que o crescimento econômico depende do consumo das famílias e voltou a defender maior circulação de renda.

“A economia cresce pelo consumo da sociedade. E quando o pobre consome mais, o rico não fica mais pobre — ao contrário, vende mais e movimenta a economia”, declarou.

Lula também repetiu uma de suas frases mais recorrentes: “Muito dinheiro na mão de poucos significa miséria; pouco dinheiro na mão de muitos significa distribuição de riqueza”.

Quem será beneficiado

Com a nova legislação, 10 milhões de pessoas passarão a ser totalmente isentas do IR e outras 5 milhões terão desconto sobre o valor devido. Atualmente, apenas quem ganha até dois salários mínimos está isento.

A nova faixa de isenção valerá para a declaração do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) de 2027, referente ao ano-base 2026.

Descontos e manutenção das alíquotas

A lei também cria descontos para contribuintes que ganham entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350. No entanto, as alíquotas gerais da tabela do IR não foram corrigidas. Assim, quem recebe acima de R$ 7.350 continuará pagando 27,5%.

Segundo cálculos do governo, uma correção completa da tabela custaria mais de R$ 100 bilhões ao ano. A tabela atual acumula defasagem de 154,67% entre 1996 e 2024, de acordo com o Dieese.

LEIA TAMBÉM  STF condena Eduardo Bolsonaro por coação no processo

Taxação maior sobre altas rendas

Para compensar a renúncia fiscal, o texto aprovado pelo Congresso prevê alíquota extra progressiva de até 10% para contribuintes com renda anual superior a R$ 600 mil — cerca de R$ 50 mil mensais. Essa tributação atinge aproximadamente 140 mil pessoas físicas.

Hoje, indivíduos de alta renda pagam, em média, 2,5% de IR efetivo, considerando rendimentos como lucros e dividendos. Já trabalhadores em geral pagam entre 9% e 11%.

A nova lei ainda define limites para evitar que o somatório de tributos pagos pela empresa e pelo contribuinte ultrapasse percentuais máximos. Caso isso ocorra, haverá restituição no ajuste anual.

Também passa a valer a alíquota de 10% sobre lucros e dividendos enviados ao exterior.

Haddad: “A conta não recairá sobre os mais pobres”

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que a mudança é neutra do ponto de vista fiscal, porque a compensação virá das rendas mais altas. Ele disse que o modelo rompe com a tradição de ajustes direcionados às camadas mais vulneráveis.

“Desta vez fizemos diferente. O ajuste não será no lombo dos mais pobres. A compensação está sendo feita pelo andar de cima”, declarou.

Siga-nos no

Google News

Siga nas Redes Sociais

5,000FãsCurtir
11,450SeguidoresSeguir
260SeguidoresSeguir
760InscritosInscrever

Últimas Notícias

Notícias Relacionadas

Hugo Motta cria comissão especial para analisar PEC da redução da maioridade penal para 16 anos

Proposta que permite punir criminalmente jovens de 16 e 17 anos por crimes graves...

Homem é condenado por falsificar 159 atestados de vistoria veicular de transporte escolar

Crimes envolveram veículos de transporte escolar, colocando crianças e adolescentes em risco. Pena de...

Colisão entre motocicletas deixa três feridos no prolongamento da Avenida Getúlio Vargas, em Chapecó

Um acidente de trânsito envolvendo duas motocicletas deixou três pessoas feridas na tarde de...

EUA realizam audiências sobre práticas comerciais do Brasil e avaliam possível sobretaxa de 25% sobre exportações

Investigações analisam temas como Pix, etanol, propriedade intelectual, desmatamento e combate ao trabalho forçado O...