Ouvir música clássica faz bem para a saúde? A ciência explica os benefícios para o cérebro e o corpo

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Por séculos, compositores como Bach, Mozart, Beethoven e Chopin emocionaram milhões de pessoas. Hoje, além do valor artístico, a música clássica também desperta o interesse da ciência.

Pesquisas realizadas nas últimas décadas mostram que ouvir música pode provocar mudanças mensuráveis no cérebro e no organismo, influenciando emoções, memória, frequência cardíaca, pressão arterial e até a forma como lidamos com o estresse.

Embora muitos desses benefícios também possam ocorrer com outros estilos musicais de que a pessoa goste, a música clássica costuma ser utilizada em pesquisas por apresentar estruturas rítmicas e harmônicas capazes de favorecer estados de relaxamento e concentração. Especialistas alertam, no entanto, que ela não substitui tratamentos médicos.

A música reduz o estresse e a ansiedade

Um dos efeitos mais bem documentados é a redução do estresse.

Estudos mostram que ouvir música pode diminuir marcadores físicos relacionados à resposta do organismo ao estresse, além de reduzir sintomas de ansiedade em diferentes grupos de pacientes. A música também influencia regiões cerebrais ligadas às emoções, ajudando a promover sensação de tranquilidade e bem-estar.

O coração também pode se beneficiar

Os benefícios não ficam restritos ao cérebro.

Uma revisão científica que reuniu diversos estudos concluiu que a musicoterapia pode auxiliar na redução da pressão arterial, da frequência cardíaca e dos níveis de ansiedade em pessoas com hipertensão. Os pesquisadores destacam que a música deve ser vista como um tratamento complementar, nunca como substituta dos medicamentos prescritos.

A música estimula diversas áreas do cérebro

Quando ouvimos uma composição musical, diferentes regiões cerebrais são ativadas ao mesmo tempo.

Áreas responsáveis pela memória, atenção, linguagem, emoções e movimento trabalham de forma integrada para interpretar ritmo, melodia e harmonia.

Segundo o Centro Nacional de Saúde Complementar e Integrativa (NCCIH), dos Estados Unidos, esse estímulo simultâneo ajuda a explicar por que a música exerce efeitos tão amplos sobre o comportamento humano e o bem-estar.

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Pode ajudar pessoas com demência

Um dos campos mais promissores é o tratamento de pessoas com demência.

Revisões científicas indicam que a musicoterapia pode reduzir a agitação, aliviar sintomas depressivos, melhorar o humor e aumentar a interação social em pacientes com Alzheimer e outras formas de demência.

Os pesquisadores ressaltam, porém, que as evidências são mais fortes para melhora da qualidade de vida e do bem-estar emocional do que para recuperação da memória ou da função cognitiva.

A música clássica melhora a inteligência?

Essa é uma das maiores dúvidas sobre o tema.

Durante muitos anos, ganhou fama a chamada “teoria do Efeito Mozart”, segundo a qual ouvir música clássica aumentaria a inteligência.

Hoje, a comunidade científica considera que essa ideia foi amplamente exagerada.

As pesquisas atuais mostram que a música pode melhorar temporariamente o estado de alerta, a atenção e o humor, fatores que favorecem o desempenho em algumas tarefas. No entanto, não existem evidências robustas de que ouvir música clássica, por si só, aumente o quociente de inteligência (QI).

O gosto musical também faz diferença

Especialistas destacam que o fator mais importante pode não ser o estilo musical, mas a relação afetiva que cada pessoa tem com a música.

Canções que despertam emoções positivas tendem a ativar circuitos cerebrais ligados à recompensa e ao prazer, potencializando os efeitos sobre o humor e o bem-estar.

Por isso, embora a música clássica seja frequentemente utilizada em estudos científicos e sessões de musicoterapia, outros gêneros musicais também podem proporcionar benefícios semelhantes quando fazem parte das preferências do ouvinte.

A música não substitui tratamentos, mas pode ser uma grande aliada

A ciência mostra que a música é muito mais do que entretenimento.

Quando utilizada de forma adequada, ela pode contribuir para reduzir o estresse, aliviar a ansiedade, melhorar o humor, favorecer a interação social e complementar o tratamento de diversas condições de saúde.

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Mais do que uma simples trilha sonora, a música tem potencial para influenciar o cérebro e o corpo de maneiras que a medicina ainda continua descobrindo.

Fonte: Nature Mental Health; National Center for Complementary and Integrative Health (NCCIH/NIH); revisões científicas sobre musicoterapia e saúde.

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