quinta-feira, 28 maio, 2026

Mulheres negras têm quase o dobro de risco de morte materna, aponta estudo

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Mulheres negras seguem enfrentando risco significativamente maior de morrer durante a gravidez, no parto ou no pós-parto no Brasil. Um estudo conduzido por pesquisadores da Unicamp revelou que mães pretas apresentam quase o dobro da taxa de mortalidade materna em comparação com mulheres brancas e pardas, reforçando desigualdades históricas no acesso à saúde e no atendimento obstétrico no país.

Os dados analisaram registros nacionais entre 2017 e 2022 e mostram que a mortalidade materna entre mulheres pretas chegou a 125,8 mortes para cada 100 mil nascidos vivos. Entre mulheres brancas e pardas, o índice ficou em cerca de 64 mortes por 100 mil nascimentos.

Segundo reportagem publicada pela CNN Brasil, pesquisadores afirmam que o cenário reflete diretamente os impactos do racismo estrutural sobre a saúde materna no Brasil.

Diferença aparece em todas as regiões do país

A pesquisa identificou taxas mais altas de mortalidade materna entre mulheres negras em todas as regiões brasileiras.

No Norte, os números chegaram a 186 mortes por 100 mil nascidos vivos. Já no Sudeste apareceu a maior diferença proporcional entre mulheres negras e brancas.

Os pesquisadores destacam que fatores socioeconômicos ajudam a explicar parte dessa desigualdade, mas não são suficientes para justificar sozinho o aumento do risco.

Mesmo após ajustes envolvendo renda, escolaridade e acesso aos serviços de saúde, mulheres negras continuaram apresentando maior vulnerabilidade durante gestação e parto.

Segundo os autores do estudo, isso indica falhas estruturais persistentes dentro do sistema de saúde brasileiro.

Hipertensão e atendimento tardio aumentam riscos

Entre os fatores associados ao aumento da mortalidade materna estão:

  • hipertensão durante a gravidez;
  • demora no atendimento;
  • menor acesso a pré-natal adequado;
  • dificuldade em diagnósticos precoces;
  • barreiras no acompanhamento especializado.
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Especialistas alertam que muitas mortes poderiam ser evitadas com atendimento rápido, monitoramento adequado e acesso mais eficiente aos serviços de saúde.

A mortalidade materna é considerada um dos principais indicadores de desigualdade social e qualidade da assistência obstétrica de um país.

Brasil ainda está distante da meta internacional

O Brasil assumiu junto à Organização das Nações Unidas a meta de reduzir a mortalidade materna para 30 mortes a cada 100 mil nascidos vivos até 2030.

Hoje, porém, os números ainda permanecem acima desse objetivo, especialmente entre mulheres negras.

Pesquisadores afirmam que enfrentar essas desigualdades exige ampliação do acesso ao pré-natal, fortalecimento da atenção básica e combate direto ao racismo institucional dentro dos serviços de saúde.

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