Itaú BBA vai apertar crédito ao agro em 2026

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Resumo

O Itaú BBA vai endurecer a análise de empréstimos ao agronegócio em 2026, mas ainda projeta alta de 10% na carteira, sem contar o câmbio. A expansão deve vir de setores com maior demanda por capital, como etanol de milho e esmagamento de soja, segundo o banco.

O Itaú BBA será mais seletivo na concessão de crédito ao agronegócio em 2026, mas ainda espera ampliar em 10% sua carteira no setor, sem considerar o efeito cambial. A aposta do banco recai sobre atividades que pedem mais capital, como etanol de milho e esmagamento de soja, disse Pedro Fernandes, diretor de agronegócios, em entrevista durante o seminário Agro em Pauta, promovido pela instituição.

Banco mira clientes com gestão mais sólida

Fernandes afirmou que o banco vai apoiar clientes que, na avaliação da instituição, estejam com as contas mais organizadas. Ele disse que não é hora de decisões apressadas nem de operações que elevem o risco de insolvência. A seletividade, segundo ele, não significa fugir de produtores expostos ao clima, mas priorizar quem faz melhor gestão do negócio.

“Está fora do nosso apetite alguém que está alavancado, enxergando o cenário de El Niño, e que decide aumentar o risco”, afirmou o executivo. Para a nova safra, o principal fator de preocupação deve ser o clima, segundo os analistas do banco.

Francisco Queiroz, da Consultoria Agro do Itaú BBA, disse que o cenário-base considera um El Niño com impacto sobre o Matopiba, irregularidade de chuvas no Cerrado e precipitações acima da média no Sul. Um evento mais forte pode afetar regiões produtoras importantes, especialmente Mato Grosso, e mexer no equilíbrio entre oferta e demanda de grãos.

No caso da soja, o banco projeta avanço de apenas 0,5% na área plantada na próxima safra. A produção brasileira deve chegar a 182,4 milhões de toneladas, alta de 1,3%, abaixo da estimativa de 186 milhões do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos.

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Para o milho, o Itaú BBA vê preços mais firmes, puxados pelo consumo interno para ração e etanol. A segunda safra preocupa mais, porque depende da janela de plantio após a colheita da soja. Se houver atraso, o risco climático aumenta. O banco também avalia que a atratividade do etanol de milho deve conter a expansão do algodão, embora o mercado internacional da pluma esteja mais ajustado.

Na cana, a expectativa é de recuperação da moagem no Centro-Sul, com mais açúcar e etanol. Isso tende a manter o preço do biocombustível pressionado. No café, as margens seguem boas em termos históricos, mas uma safra mais forte pode pesar sobre as cotações. Já na pecuária bovina, o banco vê incerteza no curto prazo por causa das exportações à China e da tarifa adicional sobre a carne brasileira acima da cota.

Fonte: Globo Rural

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