Exame de sangue pode ajudar a identificar risco de câncer colorretal precoce

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A Epic Research divulgou nesta quarta-feira (9) uma análise sobre a probabilidade de desenvolver câncer colorretal em adultos com menos de 45 anos, a partir de exames de sangue feitos em consultas de rotina nos Estados Unidos, e encontrou uma associação entre níveis mais baixos de AST e ALT e maior chance de diagnóstico precoce.

AST e ALT baixos chamaram atenção

Na avaliação, adultos com menos de 45 anos que tinham níveis mais baixos das enzimas hepáticas aspartato transaminase, ou AST, e alanina transaminase, ou ALT, apareceram com maior probabilidade de receber diagnóstico de câncer colorretal de início precoce do que seus pares. Kersten Bartelt, clínico e pesquisador da Epic Research, disse: “A direção foi um pouco contraintuitiva. Clinicamente, tendemos a observar altas enzimas hepáticas, então perceber que AST e ALT baixos estavam associados a uma maior probabilidade de câncer colorretal de início precoce se destacou”.

Os achados não foram publicados em periódicos revisados por pares. A própria análise ressalta que a associação não prova causa: níveis baixos não significam que a pessoa vai desenvolver câncer, nem justificam correr para uma colonoscopia só por causa desse resultado. Bartelt afirmou: “Nosso estudo mostra essa associação, mas não foi criado para descobrir o motivo”. Ele acrescentou: “Clinicamente, AST e ALT baixos podem refletir fatores como menor massa muscular, fragilidade ou fatores nutricionais. É uma das perguntas que esperamos que este trabalho motive outros a investigar.”

Os médicos também dizem que adultos mais jovens com AST ou ALT baixo não devem entrar em pânico. Bartelt resumiu assim: “AST e ALT não são valores que aconselharíamos a alguém a tentar elevar”. E completou: “E nada em nosso estudo sugere que mudá-los mudaria o risco de câncer de uma pessoa”. Para ele, esses números provavelmente refletem fisiologia subjacente, como músculo e estado nutricional, e o foco deve ficar na saúde geral em parceria com o clínico, não em mexer em um único número de laboratório.

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Triagem continua ancorada na colonoscopia

A pesquisa também lembra que níveis mais altos de AST e ALT às vezes são sinal de um fígado doente, e que certas condições, como doenças hepáticas ou infecções, podem elevar esses marcadores. Por isso eles costumam entrar em exames de sangue rotineiros, já que enzimas hepáticas elevadas podem servir como sinais precoces de lesão hepática, inflamação ou doença, mesmo antes dos sintomas.

Além disso, Bartelt e seus colegas analisaram triglicerídeos, colesterol e potássio. Nenhum desses outros exames laboratoriais rotineiros apareceu associado ao câncer colorretal de início precoce. A equipe também observou que os níveis de AST e ALT variam de pessoa para pessoa e podem mudar ao longo do tempo com fatores como nível de atividade, massa muscular, doenças ou medicamentos.

Os pesquisadores estudaram dados de saúde de mais de 11.000 pessoas entre 18 e 44 anos nos Estados Unidos. Todos fizeram o primeiro teste de rastreamento para câncer colorretal entre 2017 e 2025 e tinham pelo menos um exame AST ou ALT nos 3 anos anteriores à triagem. Depois disso, os pesquisadores compararam os adultos diagnosticados com câncer colorretal dentro de 1 ano após o rastreamento com os que não receberam esse diagnóstico.

A análise mostrou que adultos cujos níveis de AST caíram abaixo de 14 unidades por litro de sangue tinham 65% mais probabilidade de diagnóstico precoce de câncer colorretal em comparação com colegas na faixa de 14 a 29. No caso da ALT, níveis abaixo de 14 vieram com 68% mais probabilidade. Já valores mais altos tiveram efeito oposto: AST de 30 ou mais se associou a uma probabilidade 22% menor, enquanto ALT de 30 ou mais apareceu ligada a uma probabilidade 29% menor.

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Os pesquisadores usaram a faixa entre 14 e 29 como referência porque ela estava dentro da média observada na análise. Mesmo assim, os médicos reforçam que colonoscopias ainda são consideradas o padrão ouro para triagem e que exames de sangue não substituem esse procedimento.

O aumento entre jovens segue sem resposta fechada

A discussão sobre por que os casos crescem entre adultos mais jovens continua aberta na medicina. Dr. Marc Fenster, gastroenterologista do Episcopal Health Services em Nova York, disse: “Sempre que há foco no câncer de cólon, especialmente no câncer de cólon de início precoce, precisamos descobrir o motivo. Definitivamente houve um aumento no câncer de cólon de início precoce e, se houver marcadores que nos apontem para os pacientes certos para o rastreamento, isso é ótimo”.

Ele acrescentou: “A conversa mais ampla em torno do câncer colorretal de início precoce tem se concentrado em histórico familiar e genética, obesidade e saúde metabólica, alimentação, inatividade física, microbioma, exposição a antibióticos e atrasos no reconhecimento de sintomas em pacientes mais jovens. No entanto, nenhum desses fatores explica totalmente o aumento dos casos”. Fenster também disse que a pesquisa aponta para um “sinal” e é “geradora de hipóteses”, mas não estabelece baixo AST ou ALT como fator de risco para câncer colorretal de início precoce.

Para ele, o estudo deve incentivar novas pesquisas sem mudar a avaliação individual dos pacientes. Ele afirmou: “Não quero que as pessoas pensem que têm um AST ou ALT baixo e, de repente, isso significa que vão ter câncer de cólon ou até precisarão fazer algo diferente”. E completou: “Se você não tem histórico familiar, não tem nenhum sintoma, se está saudável, não está perdendo peso, não está tendo sangramento retal, então este estudo não muda minha abordagem sobre isso.”

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Nos Estados Unidos, a orientação clínica é começar o rastreamento do câncer colorretal aos 45 anos para quem tem risco médio. Pessoas com maior risco — por causa do próprio histórico médico, histórico familiar ou sintomas — podem começar antes. Em maio, pela primeira vez, a American Cancer Society incluiu testes baseados no sangue na lista recomendada para adultos com 45 anos ou mais com risco médio que não completaram ou recusaram exames visuais e exames de fezes; o teste indicado pelo grupo é o Shield, que não faz parte dos exames sanguíneos rotineiros.

As informações são da CNN Brasil.

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