Calor extremo eleva risco respiratório em bebês e crianças

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O calor extremo, somado ao Super El Niño, coloca bebês e crianças menores de 5 anos entre os grupos mais vulneráveis às mudanças climáticas, segundo especialistas que vão levar o alerta ao 8º Congresso Internacional Sabará-Pensi de Saúde Infantil, em São Paulo, entre esta quinta-feira (1º) e o próximo sábado (3), para discutir os desafios do cuidado com esse público e o impacto do clima na saúde respiratória.

Calor extremo, poluição e clima seco no centro do debate

O encontro vai reunir médicos e profissionais de todo o Brasil e do exterior. O painel “Fatores ambientais e saúde infantil”, na Mesa Meio Ambiente, terá mediação do pesquisador William Cabral, do Instituto Pensi, e vai discutir a influência da poluição, do calor extremo e das mudanças nas condições que favorecem doenças respiratórias e infecciosas.

Cabral conduziu um estudo publicado no Journal of Global Health que mostra que, embora o frio costume ser ligado às doenças respiratórias, o calor também contribui para o aumento das mortes de crianças menores de 5 anos no Brasil. A pesquisa aponta ainda a primavera como a estação com mais internações hospitalares infantis e os dias secos como parte importante dos casos mais graves.

O trabalho usou inteligência artificial para cruzar dados registrados no Sabará Hospital Infantil. O centro médico atende cerca de 100 mil crianças por ano, aproximadamente 50% delas com problemas respiratórios. A amostra analisou mais de 24 mil consultas por doenças respiratórias e quase 3 mil internações.

Segundo Cabral, o levantamento busca entender como as condições ambientais influenciam a procura por atendimento pediátrico. “Essas crianças que foram expostas a dias mais secos também estavam associadas aos casos de internação por doença respiratória. Para os casos de bronquiolite, os dias com os índices de ozônio mais altos estavam associados às internações, bem como os dias mais úmidos. E para as infecções respiratórias foram associadas aos dias com temperaturas mais baixas”

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A leitura é reforçada pelo gerente médico do Sabará Hospital Infantil, Dr. Francisco Ivanildo de Oliveira. Segundo ele, o aumento da temperatura vem acompanhado de mais poluentes e partículas no ar, o que fragiliza o sistema respiratório e faz a taxa de internação de crianças subir nesses períodos, sobretudo quando a umidade do ar cai.

O risco não se distribui de forma igual

“O risco não se distribui de forma igual”: para Dr. Francisco Ivanildo de Oliveira, nem todas as crianças dentro de uma mesma cidade enfrentam a mesma exposição. Quem vive perto de áreas com grande circulação de veículos também tem risco maior por causa da concentração de poluentes.

Ele diz que isso acontece tanto pela falta de árvores — que gera as chamadas “ilhas de calor” — quanto pelas condições precárias em algumas residências. “O pior desfecho da saúde acontece nas populações mais vulneráveis socioeconomicamente falando. É aquela combinação entre o prejuízo do clima, a condição socioeconômica e o acesso ao serviço de saúde que não consegue dar suporte e evitar o óbito de uma criança, por exemplo”, complementa o pesquisador.

As mudanças climáticas também podem alterar a distribuição e a intensidade de doenças infecciosas, como malária e dengue. Dr. Francisco Ivanildo de Oliveira ressalta que o regime de chuvas, as inundações e as secas mexem com o equilíbrio ecológico e aumentam a presença dos vetores.

Por isso, ele defende evitar recipientes que possam virar criadouros do mosquito dentro das casas. “A população tende a armazenar água, e a presença desses elementos de armazenamento de água, de potes, barris, enfim, água armazenada para consumo humano, também acaba se constituindo em um reservatório importante para o mosquito que vai fazer a transmissão da dengue, do chikungunya e da zica”, reforça o infectologista.

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O evento do Sabará Infantil também vai discutir o uso da inteligência artificial na saúde. Cabral vai falar sobre o projeto recente descrito no estudo: usar IA para prever a demanda por atendimentos e internações no hospital. “A ideia é ter um sistema em que seja possível identificar os maiores fluxos de atendimento e de internação no hospital para que seja possível ter um gerenciamento frente a uma crise climática com esses piores índices de poluição e condições extremas do clima”, explicou.

Já Dr. Francisco Ivanildo de Oliveira diz que isso pode ajudar os médicos a definir o direcionamento dos pacientes. “Hoje em dia a gente também tem a vacina da dengue disponível para a população pediátrica. No caso das doenças respiratórias associadas às mudanças de temperatura, ao calor, ao clima seco e à alta concentração de poluentes, é importante que as famílias sejam orientadas a evitar atividades externas, principalmente em momentos do dia em que a temperatura está mais elevada”, conclui o médico. As informações são da CNN Brasil.

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