sexta-feira, 5 junho, 2026

FACISC alerta: tarifa dos EUA pode afetar 85% das exportações de SC

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Resumo: A Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (FACISC) manifestou preocupação com os possíveis impactos da investigação comercial concluída pelos Estados Unidos contra o Brasil (Seção 301). A medida prevê tarifa de 25% sobre produtos brasileiros e pode afetar 65% das exportações catarinenses destinadas ao mercado estadunidense – percentual superior ao dobro da média nacional. Além disso, há risco de taxa adicional de 12,5% relacionada a condições de trabalho. Cerca de 85% das exportações do estado para os EUA sofrerão algum tipo de taxação ou cota. O agronegócio concentra o maior risco, com destaque para madeira, móveis, gelatina, recipientes de papel, suco de maçã e peixes.

A Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (FACISC) manifesta preocupação com os possíveis impactos da investigação comercial concluída pelos Estados Unidos contra o Brasil, conhecida como Seção 301. A medida prevê a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros e tem o potencial de afetar 65% das exportações catarinenses destinadas ao mercado estadunidense. O percentual é mais que o dobro da média nacional e coloca Santa Catarina entre os estados mais vulneráveis à eventual taxação. Ainda há a possível imposição adicional da taxa de 12,5% tanto ao Brasil quanto a outros 46 países, relacionada às condições de trabalho, cenário ainda incerto.

Diante dessas medidas, a entidade defende celeridade nas negociações diplomáticas e comerciais entre os governos brasileiro e estadunidense antes da decisão final prevista para julho. Segundo levantamento preliminar da FACISC, cerca de 14% dos produtos exportados catarinenses aos Estados Unidos estão incluídos na lista de exceções que não sofreriam a nova tarifa. Outros 20% permanecem temporariamente excluídos da medida por estarem enquadrados em outras cotas e taxações (aço, alumínio e setor automotivo). Portanto, caso a nova medida seja aprovada, cerca de 85% das exportações do estado para o país sofrerão algum tipo de cota e/ou taxação.

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“Santa Catarina possui uma relação comercial muito relevante com os Estados Unidos e diversos setores dependem diretamente desse mercado. É fundamental que as negociações avancem rapidamente para evitar prejuízos à competitividade das empresas catarinenses e garantir previsibilidade e segurança jurídica aos exportadores”, afirma o diretor de Relações Internacionais da FACISC, Evaldo Nieheus Jr.

Agronegócio concentra maior risco

A preocupação é ainda maior para o agronegócio catarinense, o quinto maior do país em produção e reconhecido pela alta diversidade produtiva. Mais de 80% dos produtos que podem ser atingidos pela nova taxação pertencem ao setor, com destaque para madeira e móveis, gelatina, recipientes de papel, suco de maçã e peixes. Além do agronegócio, outros setores importantes da economia catarinense também podem ser afetados, como a indústria de cerâmica não vitrificada e a fabricação de iates.

A FACISC reforça que as negociações devem considerar as especificidades da pauta exportadora de cada estado brasileiro. Em diversos segmentos do agronegócio catarinense, os Estados Unidos são o principal destino das exportações. É o caso de produtos como obras de carpintaria e suco de maçã, cujas vendas ao mercado norte-americano representam aproximadamente 80% das exportações desses setores.

Importância da diversificação de mercados

As incertezas cada vez mais frequentes no comércio com os EUA mostram a necessidade de diversificação de mercados e redução da dependência de poucas economias. Desde 2025, a FACISC, por meio do CONCENI, promove reuniões e eventos com representantes de outros países, reforçando a importância da ampliação das oportunidades comerciais internacionais. Além do acordo entre Mercosul e União Europeia, estão em estágio avançado as tratativas do bloco com os Emirados Árabes Unidos. Há também estratégias para destravar negociações com a Índia, com o Canadá (acordo previsto para até o final do ano) e com Singapura (já em vigor no Uruguai e Paraguai).

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Apesar de esses países não estarem entre os principais parceiros comerciais, Santa Catarina possui grande potencial de comercialização de vários produtos do agronegócio (proteína animal, máquinas agrícolas, papel kraft), bem como de setores que têm relação significativa com os EUA, como móveis, madeira e gelatina. “A diversificação dos mercados é estratégia essencial para reduzir riscos e ampliar oportunidades. Em 2025, Santa Catarina já começou com esse movimento, exportando valores recordes para América do Sul e Oriente Médio, além de vender valores não vistos há anos para Europa, África e Oceania. Portanto, a conclusão desses acordos pode abrir ainda mais novas possibilidades para os exportadores catarinenses e fortalecer a inserção internacional do estado”, conclui Nieheus.

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