terça-feira, 23 junho, 2026

BC mantém corte de juros e leva Selic a 14,25% apesar da inflação acima da meta

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Copom justifica redução sob perspectiva de choques de oferta, como conflitos no Oriente Médio e efeitos do El Niño, mas reafirma cautela para os próximos passos.

O Banco Central (BC) manteve o ciclo de redução da taxa básica de juros, a Selic, mesmo diante da piora no cenário inflacionário. Em sua última reunião, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu cortar a Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,5% para 14,25% ao ano — o terceiro corte consecutivo desde março. A decisão foi justificada pela avaliação de que choques de oferta, como os conflitos no Oriente Médio e os impactos climáticos do El Niño, não devem ser combatidos integralmente com aperto monetário imediato.

  • O que é: Redução da taxa básica de juros (Selic) pelo Copom, de 14,5% para 14,25% ao ano.
  • Números principais: Corte de 0,25 ponto percentual; terceiro corte consecutivo desde março; Selic estava em 15% ao ano entre junho de 2025 e março de 2026.
  • Onde: Decisão nacional, afeta todo o Brasil, incluindo Chapecó e o Oeste Catarinense.
  • Quem afeta: Consumidores, empresas e investidores, com impactos no custo do crédito e no financiamento da economia.

Por que o BC cortou os juros mesmo com a inflação acima da meta?

O Copom entende que as pressões inflacionárias atuais vêm, em grande parte, de choques de oferta — eventos inesperados que elevam preços de forma temporária. Conforme a ata divulgada nesta terça-feira (23), a autoridade monetária considera que “as melhores práticas” de política monetária recomendam não reagir integralmente a essas flutuações, especialmente quando envolvem incertezas relevantes.

Entre os principais fatores citados estão o conflito armado no Oriente Médio, que pressiona os preços globais de petróleo e combustíveis, e os efeitos climáticos do El Niño, ainda em projeção. O BC argumenta que uma reação exagerada poderia gerar volatilidade excessiva nos ativos financeiros e na atividade econômica.

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O que diz a ata do Copom sobre os riscos e os próximos passos?

No documento, o comitê reafirma “serenidade e cautela” diante do cenário de forte incerteza. A ata indica que os passos futuros da calibração da Selic dependerão da evolução das informações sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, bem como seus efeitos diretos e indiretos sobre os preços.

O BC também destaca que a atividade econômica doméstica continua surpreendendo positivamente, o que dificulta a desaceleração da inflação de serviços. Por isso, os diretores afirmam que a magnitude do ciclo de ajuste será ajustada conforme novos dados econômicos, garantindo a convergência da inflação para o centro da meta no primeiro trimestre de 2028 — horizonte relevante oficial da autoridade monetária.

Qual é a previsão para a inflação e os próximos cortes?

Em maio, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou em 0,58%, pressionado principalmente pelos alimentos. O acumulado em 12 meses chegou a 4,72%, segundo o IBGE, ficando acima do teto da meta de inflação, que varia de 1,5% a 4,5%.

O mercado financeiro projeta, para este ano, IPCA de 5,33% e, para 2027, de 4,15%. Apesar do cenário desafiador, o Copom avalia que as simulações de trajetórias alternativas de juros mostram menor flutuação do produto e são compatíveis com a suavização macroeconômica.

O BC reafirma que os próximos passos serão ajustados com base na evolução dos dados, mantendo a postura de cautela diante dos riscos assimétricos na direção altista para os preços.

Com informações da ata do Copom e do IBGE.

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