O cenário de direitos humanos no Irã atinge um ponto crítico nesta quarta-feira (14 de janeiro de 2026). Erfan Soltani, um jovem de 26 anos e trabalhador do setor têxtil, pode ser executado a qualquer momento após ser condenado à morte por sua participação em protestos recentes contra o regime na cidade de Karaj.
O Caso Erfan Soltani: Da Prisão à Sentença
De acordo com relatos obtidos pelo portal IranWire e pela organização de direitos humanos Hengaw, a cronologia do caso demonstra uma celeridade processual que preocupa observadores internacionais:
- 8 de janeiro: Erfan foi detido em sua residência no distrito de Fardis.
- 9 a 11 de janeiro: A família permaneceu sem notícias sobre seu paradeiro (desaparecimento forçado temporário).
- 11 de janeiro: Autoridades confirmaram a custódia e anunciaram que a sentença de morte já havia sido proferida.
- 14 de janeiro: Data marcada para a execução por enforcamento.
Acusação de “Moharebeh” e a Falta de Devido Processo
Erfan foi condenado sob a acusação de Moharebeh (traduzido como “Inimizade contra Deus”), um dispositivo jurídico do Código Penal Islâmico frequentemente utilizado contra dissidentes políticos.
Violações Citadas por Organizações Humanitárias
Relatos de fontes próximas e ONGs internacionais apontam graves irregularidades no processo:
- Impedimento de Defesa: O advogado da família teria sido ameaçado e impedido de acessar os autos.
- Ausência de Recurso: A sentença foi declarada definitiva e inapelável em menos de uma semana após a prisão.
- Isolamento: A família teria tido direito a apenas 10 minutos de visita antes do horário previsto para a execução.
Contexto: A Onda de Protestos no Irã (2025-2026)
As manifestações que levaram à prisão de Soltani completam um mês e são motivadas por uma crise econômica sem precedentes.
- Causas: Hiperinflação, desvalorização severa do rial e alto custo de vida.
- Números da Repressão: Segundo dados reportados pela agência Reuters, o número de mortos em confrontos e repressão estatal já se aproxima de 2.000 pessoas.
Nota de Contexto: O uso da pena de morte como ferramenta de dissuasão política no Irã tem sido alvo de condenações sistemáticas pela ONU e pela Anistia Internacional, que classificam tais execuções como violações do direito à vida e à liberdade de expressão.
Como Acompanhar o Caso
A comunidade internacional e organizações de monitoramento de direitos humanos seguem em vigília para tentar suspender a execução.
Organização Atuação Hengaw Organization Monitoramento de violações em regiões curdas e opositores. Iran Human Rights (IHR) Relatórios sobre execuções e sistema prisional iraniano. Anistia Internacional Campanhas globais para suspensão de penas de morte.
Este conteúdo é baseado em relatos de fontes locais e organizações de direitos humanos. Dada a natureza do regime iraniano, informações oficiais podem ser restritas ou sofrer censura.
Fonte: G1




