A professora catarinense premiada na Itália, Rossaly Beatriz Chioquetta Lorenset, recebeu reconhecimento internacional durante a Feira Internacional do Livro de Turim, uma das mais importantes da Europa.
A escritora foi premiada pelo ensaio “A leitura pode ser uma sentença de liberdade?”, inspirado em seu livro “Leitura e cárcere: (entre) linhas e grades, o leitor preso e a remição de pena”, publicado pela Editora Appris.
O texto foi um dos vencedores da primeira edição do Prêmio Literário “Don Meco – Dietro le Sbarre”, promovido pelo Fórum do Terceiro Setor de Piemonte, na Itália.
Premiação ocorreu durante a Feira Internacional do Livro de Turim
A cerimônia de lançamento da coletânea “Dietro le Sbarre: racconti, poesie e saggi – raccolta di testi premiati” aconteceu no dia 16 de maio, no estande oficial da Prefeitura de Turim.

A obra reúne os textos vencedores da premiação e integrou a programação oficial da Feira Internacional do Livro de Turim.
O evento contou com a presença de autoridades italianas, representantes do terceiro setor, lideranças religiosas e autores premiados. Também participaram o prefeito de Turim, Stefano Lo Russo, e a vice-prefeita Michela Favaro, que receberam um exemplar do livro “Leitura e cárcere”.
Texto de autora catarinense concorreu com mais de 850 trabalhos
O ensaio de Rossaly Beatriz foi selecionado entre mais de 850 trabalhos inscritos de diferentes países, em uma edição dedicada ao tema “Atrás das grades”.
Como reconhecimento, os textos vencedores foram publicados na coletânea oficial do prêmio, lançada durante a feira literária.
Durante a cerimônia, a autora catarinense foi um dos destaques do evento e a primeira premiada a realizar agradecimentos ao público.
“Com extrema honra e emoção recebo esse reconhecimento internacional como escritora, na Itália. Este momento aquece minha alma de felicidade, afinal, o abraço, o acolhimento do público e da crítica são alguns dos maiores reconhecimentos que uma autora pode receber”, afirmou Rossaly.
Livro aborda leitura no sistema prisional brasileiro
Resultado da pesquisa de doutorado desenvolvida na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), o livro “Leitura e cárcere” propõe reflexões sobre desigualdade social, sistema prisional, justiça e os sentidos da pena no Brasil contemporâneo.
A obra também reúne experiências da autora em um projeto de extensão voltado à leitura dentro do sistema prisional, realizado durante cinco anos no curso de Direito da Universidade do Oeste de Santa Catarina (Unoesc).
O trabalho incluiu entrevistas com detentos do Presídio Regional de Xanxerê, no Oeste catarinense, destacando os impactos da leitura na reconstrução de perspectivas de vida.
Leitura como instrumento de transformação
Segundo Rossaly, a remição de pena pela leitura ganhou importância diante da falta de oportunidades de trabalho e estudo no sistema prisional brasileiro.
“Muitas vezes, o livro foi o único recurso acessível para estimular reflexão, conhecimento e reconstrução de perspectivas de vida”, explicou.
Durante a pesquisa, a autora reuniu relatos de detentos que passaram a incentivar os filhos a ler e desenvolveram o hábito da leitura dentro do ambiente prisional.
Livro também foi entregue ao Papa Leão XIV
Em julho de 2025, um exemplar do livro “Leitura e Cárcere” foi entregue ao Papa Leão XIV pelo arcebispo de Chapecó, Dom Odelir José Magri.
Na ocasião, o pontífice também recebeu três cartas assinadas por 58 detentos do Presídio Regional de Xanxerê, destacando a importância da leitura no ambiente prisional e o trabalho da Pastoral Carcerária.
Quem é Rossaly Beatriz Chioquetta Lorenset
Rossaly Beatriz Chioquetta Lorenset é doutora em Linguística pela Universidade Federal de Santa Catarina e mestre em Estudos Linguísticos pela Universidade Federal da Fronteira Sul.
Graduada em Letras Português-Inglês e respectivas Literaturas pela Facepal, no Paraná, e em Língua e Literatura Espanhola pela Unoesc, atua como professora e pesquisadora de Língua Portuguesa na Universidade do Oeste de Santa Catarina e no Colégio La Salle, em Xanxerê.
A autora também escreveu o livro “Língua e Direito: uma relação de nunca acabar”.
Veja como foi. Fotos divulgação.










