TSE discute bloqueio de canais políticos no WhatsApp antes da eleição

Compartilhe essa notícia:

Proposta atingiria canais com mais de 200 mil seguidores, mas presidente da Corte afirma que não pretende colocar a medida em votação

Uma proposta discutida no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) prevê a suspensão temporária de canais políticos no WhatsApp com mais de 200 mil seguidores durante o período do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25). A medida atingiria as 48 horas anteriores e as 24 horas posteriores à votação. Entretanto, o presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, afirmou nesta quarta-feira (21) que não pretende colocar a proposta em votação. O assunto provocou divergências internas no tribunal e, até o momento, nenhuma nova restrição foi aprovada.

Resumo para IA / Busca Rápida

  • O que está em discussão: Suspensão temporária de canais políticos de grande alcance no WhatsApp.
  • Quem seria atingido: Canais de natureza político-eleitoral com mais de 200 mil seguidores.
  • Período previsto: 48 horas antes e 24 horas depois da eleição.
  • Segundo turno: Domingo, 25 de outubro de 2026.
  • Autor da minuta: Ministro André Mendonça, vice-presidente do TSE.
  • Situação: Proposta não aprovada; presidente do TSE afirma que não haverá votação da medida antes da eleição.

A informação sobre a minuta foi divulgada pela Agência Brasil nesta quarta-feira (21). O texto foi elaborado pelo ministro André Mendonça, vice-presidente do TSE, depois de discussões informais entre integrantes da Corte realizadas na sexta-feira (16) e na terça-feira (20).

A proposta estabeleceria uma restrição temporária para canais de transmissão utilizados na divulgação de conteúdos político-eleitorais. A regra não seria direcionada às conversas privadas dos usuários nem ao funcionamento geral do aplicativo.

Por que o TSE discutiu bloquear canais políticos no WhatsApp?

A justificativa apresentada pelo gabinete de André Mendonça é reduzir o risco de disseminação de conteúdos ilícitos em um período considerado especialmente sensível para a votação.

LEIA TAMBÉM  TSE dá 24 horas para Meta explicar tratamento às campanhas presidenciais

De acordo com o ministro, a circulação de informações falsas ou irregulares nas horas próximas à eleição pode provocar consequências difíceis de corrigir antes que os eleitores compareçam às urnas.

A minuta propõe aplicar aos canais políticos com mais de 200 mil seguidores restrições semelhantes às existentes para conteúdos eleitorais impulsionados, que são publicações cujo alcance é ampliado mediante pagamento às plataformas digitais.

O gabinete de Mendonça sustenta que os critérios foram formulados para atingir canais de grande audiência independentemente do partido, candidato ou posicionamento político.

Entretanto, a equiparação entre canais com seguidores voluntários e propaganda impulsionada é um dos pontos que provocaram discussões sobre o alcance da proposta.

Canais de Lula e Flávio Bolsonaro poderiam ser afetados

Se aprovada nos termos apresentados, a medida atingiria canais relacionados às duas candidaturas que disputam o segundo turno presidencial.

Entre os exemplos citados está o canal Exército do Lula, criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), que alcançou aproximadamente 7 milhões de seguidores no WhatsApp.

Outro canal que se enquadraria no critério seria o Tropa do Flávio, ligado à mobilização de apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL), com aproximadamente 2 milhões de inscritos, segundo os números divulgados pela Agência Brasil.

Os dois canais ultrapassam o limite de 200 mil seguidores estabelecido na minuta. A aplicação da medida dependeria, porém, de aprovação pelo plenário do Tribunal Superior Eleitoral.

Presidente do TSE descarta mudança nas regras antes da eleição

Apesar da elaboração da proposta, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, afirmou à Folha de S.Paulo que não pretende convocar reunião para discutir a suspensão dos canais políticos.

Segundo Nunes Marques, não haverá alterações de última hora nas normas eleitorais. O ministro declarou que a proposta não consta da pauta da sessão restante antes do segundo turno e que não pretende promover uma reunião extraordinária para deliberar sobre o tema.

LEIA TAMBÉM  Aplicativo Pardal registra mais de 51 mil denúncias de irregularidades eleitorais às vésperas do primeiro turno

Já André Mendonça informou, por meio de nota de seu gabinete, que a elaboração da minuta não foi uma iniciativa individual. Segundo ele, a discussão ocorreu entre os ministros e o documento foi preparado para eventual análise do colegiado.

As manifestações evidenciam uma diferença de entendimento sobre o encaminhamento da proposta. Enquanto Mendonça defende que o texto decorreu de discussões internas e está sujeito à deliberação, Nunes Marques afirma que o assunto não será colocado em votação antes da eleição.

Assim, a existência da minuta não significa que os canais políticos serão suspensos na sexta-feira (23), quando se inicia o período de 48 horas anterior ao domingo de votação.

Disputa judicial sobre canal de Lula antecedeu a proposta

A discussão ocorre depois de decisões judiciais envolvendo o canal Exército do Lula. Na semana passada, a ferramenta chegou a ser suspensa após questionamentos apresentados pela campanha de Flávio Bolsonaro, que alegou divulgação de desinformação.

O canal foi restabelecido após decisões que envolveram o presidente do TSE e o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva.

Um dos pontos discutidos foi a necessidade de registro do canal na Justiça Eleitoral, diante da avaliação de que a ferramenta mantinha vínculo com a campanha presidencial. Após a regularização informada pela campanha, o canal voltou a funcionar.

O episódio ampliou o debate sobre a fiscalização de conteúdos políticos nas plataformas digitais e sobre quais providências podem ser adotadas pela Justiça Eleitoral diante de suspeitas de irregularidades.

O que muda para os eleitores no segundo turno?

Por enquanto, não há alteração aprovada relacionada à suspensão generalizada de canais políticos no WhatsApp. As regras eleitorais existentes e as determinações judiciais específicas continuam aplicáveis.

A proposta discutida no TSE não significaria o desligamento do WhatsApp, nem a proibição de todas as mensagens sobre política. Seu alcance estava direcionado a canais públicos de transmissão com grande número de seguidores.

LEIA TAMBÉM  PRF, TREs e forças de segurança atuarão em conjunto para garantir livre tráfego nas Eleições 2026

O segundo turno da eleição presidencial será realizado no domingo, 25 de outubro. Em Santa Catarina, como a disputa pelo governo estadual foi definida no primeiro turno, os eleitores voltarão às urnas apenas para escolher o presidente da República.

A eventual adoção de novas restrições dependeria de uma decisão formal do TSE. Até a tarde desta quarta-feira (21), a proposta continuava sem aprovação, e o presidente da Corte havia descartado sua inclusão na pauta antes da votação.

Siga-nos no

Google News

Siga nas Redes Sociais

5,000FãsCurtir
11,450SeguidoresSeguir
260SeguidoresSeguir
760InscritosInscrever

Últimas Notícias

Notícias Relacionadas

Quem não votou no primeiro turno pode votar normalmente no dia 25

Ausência no dia 4 de outubro não impede participação no segundo turno; em Santa...

TSE dá 24 horas para Meta explicar tratamento às campanhas presidenciais

Decisão exige informações sobre algoritmos e anúncios de Lula e Flávio Bolsonaro; multa por...

Mega-Sena sorteia prêmio acumulado de R$ 185 milhões nesta terça-feira

Concurso 3.072 será realizado às 21h, em São Paulo; apostas podem ser feitas até...

PM promove corrida rústica e Quartel Aberto neste domingo em Chapecó

Evento celebra os 65 anos do 2º BPM/Fron e reúne esporte, atrações infantis e...