Um investimento histórico de US$ 650 bilhões até 2026 está sendo realizado por Alphabet (Google), Amazon, Meta e Microsoft. O montante colossal, focado em data centers e chips de inteligência artificial, visa a hegemonia no mercado de IA generativa e já supera gastos de setores tradicionais como energia.
Contudo, a explosão de custos em infraestrutura preocupa investidores, gerando quedas no valor de mercado das ações e alertas sobre uma possível bolha econômica no setor de tecnologia.
Um “capex” que rivaliza com grandes obras da história
O volume de capital destinado a despesas de capital (capex) é tão expressivo que analistas da Bloomberg o comparam a marcos históricos, como a construção das ferrovias no século XIX e do sistema rodoviário americano no pós-guerra.
A Amazon lidera individualmente, com planos de investir US$ 200 bilhões somente em 2026. A Meta, por sua vez, deu um salto potencial de 87% em seus gastos, que podem chegar a US$ 135 bilhões.
Para onde vai o dinheiro: chips, energia e concreto
O foco do investimento maciço das gigantes tech é a infraestrutura física que sustenta a IA:
- Construção de data centers gigantescos em escala global.
- Aquisição de chips de IA especializados e de alto custo.
- Expansão de redes de cabos e sistemas de energia de reserva.
- Infraestrutura robusta para suportar a demanda por ferramentas como ChatGPT e seus concorrentes.
O medo de ficar para trás supera o temor de gastar demais
O mercado financeiro reage com cautela aos anúncios. Após a divulgação dos planos bilionários, as ações de Microsoft e Alphabet chegaram a cair no after-market.
Segundo Gil Luria, analista da DA Davidson, a motivação principal é estratégica: “Nenhuma delas está disposta a perder” a corrida pela liderança em IA generativa. O medo de ficar obsoleta supera, no momento, a preocupação com o retorno financeiro imediato.
Riscos e desafios: energia, comunidades e a pressão por lucro
O lado B deste boom de investimentos inclui desafios concretos. A construção desenfreada pressiona a oferta global de energia e água, gerando atritos com comunidades locais.
Além disso, especialistas como Tomasz Tunguz, da Theory Ventures, alertam para os riscos. Grandes frenesis de investimento do passado nem sempre terminaram bem. O grande desafio para as big techs será transformar esses centenas de bilhões de dólares em lucro real antes que a paciência dos acionistas se esgote.
Enquanto isso, a corrida pela supremacia na IA segue aquecida, redefinindo não apenas o futuro da tecnologia, mas também a escala dos investimentos corporativos no mundo.






