O Brasil já soma mais de 33 milhões de pessoas com 60 anos ou mais e caminha para ser o quinto país com mais idosos do mundo. Esse público movimenta R$ 2 trilhões na economia, de acordo com estudo da consultoria Data8. Esse potencial econômico é formado tanto por consumidores quanto por empreendedores da chamada economia prateada, em alusão aos cabelos grisalhos.
Para atender a esse público, os modelos de negócio precisam se adaptar a novas demandas: melhor iluminação nas lojas, sinalização visível, acessibilidade, atendimento acolhedor e processo de compra simplificado. “Os empreendimentos que compreenderem essa mudança não apenas vão acessar um mercado de expansão, mas também contribuirão para um modelo de desenvolvimento mais inclusivo”, afirma Gilvany Isaac, gestora do programa Empreendedorismo Sênior 60+ do Sebrae.
Segmentos com maior potencial para a economia prateada
Gilvany destaca os seguintes nichos:
- Saúde e bem-estar: academias especializadas com treino adaptado e foco na funcionalidade
- Telemedicina e monitoramento remoto de saúde
- Cuidadores profissionais: com possibilidade de formalização como MEI
- Turismo e lazer: pacotes fora da alta temporada, roteiros culturais e viagens de experiência
- Serviços financeiros: planejamento para aposentadoria ativa
- Habitação adaptada: arquitetura e soluções de acessibilidade
- Comércio eletrônico e educação digital: combate a golpes e inclusão digital
Mel Mania: exemplo de negócio focado no público 60+
João Lopes, microempreendedor de 54 anos, procurou o Sebrae-RJ e criou a Mel Mania em junho de 2024, voltada inteiramente ao público 60+. “Meu público é totalmente 60+. Tenho um cliente de 84 anos que compra mensalmente”, conta. A empresa capacita gratuitamente pessoas com espaços ociosos para a produção de mel, oferece instrumentos e compra a produção dos parceiros. Já inseriu 112 pessoas na apicultura. “Quem compra o meu mel sabe que está gerando renda para as pessoas”, diz João.
O empreendedorismo sênior e a economia prateada representam uma transformação estrutural da sociedade brasileira, exigindo inovação e empatia por parte de quem deseja atender bem esse público crescente.






