Cosméticos podem ter relação com câncer de mama? Especialistas explicam

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O câncer de mama é o tipo mais comum entre mulheres no Brasil, com cerca de 66,54 casos para cada 100 mil brasileiras, e voltou ao centro do debate em São Paulo na última quinta-feira (22), quando um evento discutiu o tratamento da pele antes e durante o tratamento oncológico, a partir de pesquisas que analisam a relação com cosméticos e de dados do Inca (Instituto Nacional de Câncer de Mama).

O que os estudos mostram sobre o câncer de mama

Segundo o Inca (Instituto Nacional de Câncer de Mama), o país deve registrar 781 mil novos casos até 2028, o equivalente a 5 mil casos a mais por ano em relação ao ciclo anterior. A faixa dos 50 anos aparece como o maior grupo de risco, mas diagnósticos precoces também surgem entre jovens de 20 e 30 anos. A genética, o ambiente externo, a alimentação e o que passamos no corpo entram nessa conta.

Pesquisas divergem sobre o papel dos cosméticos nesse processo, mas alguns estudos tentam medir essa relação. A ABMA (Associação Brasileira de Medicina Antroposófica) reconhece que algumas substâncias presentes em cosméticos podem estar ligadas a processos cancerígenos, como os estrógenos. Em uma pesquisa publicada na revista Chemosphere e conduzida por pesquisadores do California Pacific Medical Center Research Institute, nos EUA, o objetivo foi observar o efeito de produtos dermatológicos diretamente no tecido mamário.

Os resultados não comprovam que os cosméticos causem diretamente o câncer de mama, mas indicam que podem influenciar o diagnóstico. Em meados de 2023, os pesquisadores acompanharam mulheres saudáveis que usavam regularmente produtos de limpeza. Alguns desses compostos têm atividade semelhante à do estrogênio, que pode estimular o crescimento de células e lóbulos mamários.

Durante 28 dias, parte das voluntárias trocou produtos de uso diário por versões alternativas com menos substâncias. Antes e depois, foram coletadas amostras de urina, sangue e células da mama. Os resultados mostram que os níveis de parabenos, tipo de conservante químico, caíram na urina. Nas células mamárias, houve alterações em processos relacionados à morte celular.

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Patrícia Silveira fala sobre absorção na pele

O encontro em São Paulo foi produzido pela Be Clean e reuniu médicos e especialistas para um congresso sobre cosméticos e tratamento oncológico durante o Outubro Rosa. A empresa também criou um aplicativo que identifica rótulos com base em estudos e relatórios para alertar sobre a toxicidade de cada cosmético.

A dermatologista Patrícia Silveira explicou que a absorção varia conforme o ingrediente, a concentração e a região em que o produto é aplicado na pele. “A nossa pele tem particularidades regionais, algumas áreas são mais absortivas, outras são menos. A absorção pode ser dada também através de anexos”, disse Patrícia.

Para as especialistas ouvidas no evento, rever a composição ajuda nas escolhas mais conscientes e seguras. “É bom porque a gente está revendo o que a gente usava, a gente está podendo rever formulações e, realmente, discutir e falar sobre isso”, afirmou Silveira. As informações são da CNN Brasil.

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