Pobreza volta a crescer na Argentina e atinge quase 10 milhões de pessoas no semestre

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Dados oficiais mostram que 32,3% da população do país vizinho está abaixo da linha da pobreza. Crianças e adolescentes são o grupo mais afetado pela retração econômica

A pobreza voltou a registrar alta na Argentina, atingindo 32,3% da população no primeiro semestre de 2026. Os dados divulgados nesta quinta-feira (24) apontam que cerca de 9,7 milhões de pessoas não conseguem adquirir a cesta básica total no país vizinho, o que interrompe uma sequência de quedas no indicador que vinha sendo observada desde o ano de 2024.

  • O que é: Aumento das taxas oficiais de pobreza e indigência na Argentina.
  • Números principais: A pobreza chegou a 32,3% (9,7 milhões) e a indigência subiu para 7,5% (2,2 milhões).
  • Onde: O levantamento mede as condições em 31 regiões urbanas da Argentina.
  • Quem afeta: População argentina, com impacto mais severo sobre crianças e adolescentes de até 14 anos.

Como a inflação nas cestas básicas impulsionou a pobreza?

Segundo as informações divulgadas pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec), a renda familiar per capita dos argentinos até cresceu em média 11,5% no período analisado. Contudo, esse aumento nos salários não foi suficiente para acompanhar a inflação dos itens essenciais. A Cesta Básica Alimentar subiu 21,4%, enquanto a Cesta Básica Total, que também contabiliza despesas com moradia, transporte e vestuário, avançou 19,6%.

Qual é o impacto da crise sobre as crianças e adolescentes?

O avanço da crise econômica atinge de forma mais dura as faixas etárias mais jovens da população. De acordo com o instituto oficial de pesquisa, 44,5% das pessoas classificadas hoje como pobres na Argentina têm no máximo 14 anos de idade. Além do salto na pobreza geral, o país também registrou piora na taxa de indigência, que passou de 6,3% para 7,5%, deixando aproximadamente 2,2 milhões de cidadãos sem capacidade financeira de garantir o mínimo de alimentação diária.

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O que diz o governo sobre a retração na economia?

O aumento da vulnerabilidade social acompanha um cenário de freio, com o Indec registrando uma queda de 2,9% na atividade econômica em julho deste ano. Conforme o ministro da Economia da Argentina, Luis Caputo, essa retração foi causada por fatores temporários, como o clima adverso para o setor de construção e a menor disponibilidade de gás para a indústria.

Apesar da retração mensal, o ministro destacou publicamente que a atividade econômica ainda acumula um crescimento de 1,7% nos primeiros sete meses de 2026. Ele defende, ainda, que mesmo com a piora recente em relação ao semestre anterior, os índices de pobreza continuam abaixo do grande pico de 52,9% registrado no início de 2024, nos primeiros meses da atual gestão federal.

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