Trombose: ficar sentado por horas aumenta risco e pode levar a AVC

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A trombose forma um coágulo dentro dos vasos sanguíneos, altera o fluxo do sangue e pode provocar inchaço e dor nas coxas e pernas; o risco sobe entre profissionais que passam horas sentados na mesma posição, e o alerta ganha força nesta quarta-feira (16), Dia Nacional de Combate e Prevenção à Trombose.

Casos passam de 36 mil no semestre

Segundo dados do Ministério da Saúde, no primeiro semestre de 2025 foram registrados mais de 36 mil casos da doença. Em 2024, o país somou mais de 75 mil registros.

Para o médico Herik Oliveira, especialista em Angiologia e Cirurgia Vascular pela Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV), reconhecer os sinais cedo ajuda a evitar complicações. Dor súbita e intensa, inchaço rápido, perda de força ou sensibilidade devem ser avaliados por um médico.

“Ficar muito tempo sentado aumenta o fator de risco para a trombose, porque a falta de movimento impede a contração adequada das veias das pernas para aumentar o retorno de sangue dos pés das pernas por coração. Isso pode ocasionar um acúmulo de sangue nas veias e pode predispor ao maior risco da formação de trombo ou coágulo interior dessas veias, aumentando o risco de trombose”, explica o médico.

Arterial e venosa pedem atenção diferente

A trombose se divide em dois tipos: arterial e venosa. As duas podem causar complicações sérias e até fatais. Na forma arterial, o coágulo se forma em uma artéria e pode comprometer a circulação do sangue para órgãos e extremidades do corpo.

“Os principais sintomas da trombose arterial são dor intensa no membro, formigamento ou parestesia, palidez, diminuição da temperatura nas extremidades, podendo os dedos ficarem com cor arroxeada, diminuição ou ausência dos pulsos arteriais no membro acometido e pode acontecer de haver paralisia e perda da força muscular”, explica o médico.

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Além do tempo sentado, entram na lista de fatores de risco idade avançada, tabagismo, diabetes, hipertensão, níveis elevados de colesterol e triglicerídeos, aterosclerose, aneurismas, doenças autoimunes, distúrbios de coagulação, trombofilias, câncer e procedimentos endovasculares.

A forma venosa também aparece em duas apresentações: trombose venosa superficial, quando o coágulo se forma em veias localizadas abaixo da pele, e trombose venosa profunda (TVP), quando atinge veias profundas, geralmente localizadas nos músculos.

“Os sinais e sintomas que sugerem a trombose venosa são dor intensa no membro, de forma aguda, inchaço de início rápido, aumento da consistência ou volume muscular, dor à palpação no músculo, dor à palpação no trajeto das veias, dilatação das veias superficiais, e o inchaço geralmente é unilateral”, alerta o médico.

A trombose venosa está associada a idade avançada, histórico pessoal ou familiar de trombose ou embolia pulmonar, imobilização prolongada, internação ou permanência no leito, cirurgias recentes, traumas, câncer, gravidez, período pós-parto, uso de anticoncepcionais com estrogênio, obesidade, trombofilias, varizes e viagens aéreas prolongadas.

“A trombose arterial pode complicar com isquemia e isso aumenta o risco de infarto, acidente vascular cerebral e insuficiência renal. Em alguns casos, há o risco de amputação nas extremidades dos membros”, conta.

“Já a trombose venosa pode causar embolia pulmonar, além do surgimento de úlcera ou ferida na região do tornozelo e, a longo prazo, o paciente pode ter inchaço crônico no membro acometido pela trombose venosa”, complementa o médico.

O tratamento depende do tipo e da gravidade da doença. Na trombose arterial, pode envolver anticoagulantes, medicamentos para controle do colesterol, como as estatinas, além do controle da hipertensão e do diabetes. Em determinados casos, é necessário retirar o coágulo com trombectomia ou embolectomia arterial. A intervenção pode ser feita com cateter e, em algumas situações, incluir a colocação de stents.

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Na trombose venosa, o tratamento é geralmente clínico, com uso de anticoagulantes. Nos casos mais graves, pode ser necessária uma trombectomia venosa feita por cateter para retirada do coágulo.

“Geralmente, esse paciente vai ter uma evolução benigna do quadro e necessita fazer o uso de anticoagulante por um período de, no mínimo, três a seis meses”, complementa o médico.

Rotina ajuda a reduzir o risco

Pequenos cuidados na rotina ajudam a prevenir a trombose no cotidiano. O Ministério da Saúde recomenda fazer atividades físicas de forma rotineira e ingerir bastante líquido. Também orienta praticar exercícios físicos regularmente; evitar o consumo de álcool e tabagismo; manter uma dieta equilibrada; evitar o aumento do peso corporal; usar meias elásticas no caso de insuficiência venosa; e movimentar-se ao máximo no dia, respeitando as limitações orientadas pela equipe de saúde.

Herik Oliveira também afirma que quem trabalha por muito tempo sentado deve movimentar a perna por 10 minutos a cada 1 hora. Se não for possível levantar para caminhar, a orientação é movimentar ou massagear os membros. “O uso de meia elástica de compressão também pode ser prescrita por um médico especialista em angiologia e cirurgião vascular em situações de risco como cirurgias e viagens longas”, conclui o especialista.

As informações são da CNN Brasil.

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