Doença renal crônica avança silenciosamente; diabetes e hipertensão são os principais vilões

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Cerca de 10% da população adulta tem algum grau da doença, mas muitos desconhecem o diagnóstico. Obesidade também ganha destaque como fator de risco; prevenção e diagnóstico precoce são fundamentais.

Os rins trabalham silenciosamente todos os dias para manter o organismo em equilíbrio. São responsáveis por filtrar o sangue, eliminar toxinas, regular a pressão arterial, participar da produção de hormônios e controlar o equilíbrio de líquidos e minerais. Apesar dessa importância, a doença renal crônica costuma evoluir sem provocar sintomas nas fases iniciais. Estima-se que cerca de 10% da população adulta apresente algum grau da doença, mas muitos desconhecem esse diagnóstico justamente porque a doença pode permanecer assintomática durante anos.

  • O que é: Doença renal crônica, condição que compromete a função dos rins de forma progressiva e silenciosa.
  • Números principais: 10% da população adulta afetada; principais causas: diabetes e hipertensão; obesidade como fator associado.
  • Onde: Em todo o Brasil, incluindo Chapecó e Oeste Catarinense, onde hábitos alimentares e sedentarismo são fatores de risco.
  • Quem afeta: Adultos, especialmente aqueles com diabetes, hipertensão, sobrepeso ou histórico familiar da doença.

Por que a doença renal crônica é tão silenciosa?

Estima-se que cerca de 10% da população adulta apresente algum grau de doença renal crônica. O problema é que muitos desconhecem esse diagnóstico justamente porque a doença pode permanecer assintomática durante anos. Quando surgem os primeiros sinais, parte significativa da função dos rins já pode ter sido perdida, reduzindo as chances de interromper ou retardar sua progressão.

Os dois grandes responsáveis por esse cenário continuam sendo o diabetes e a hipertensão arterial. Nos últimos anos, porém, outro fator passou a ganhar destaque: a obesidade. Embora não tenha o mesmo peso das duas principais causas, ela aumenta significativamente o risco de lesão renal, tanto por favorecer o desenvolvimento do diabetes e da hipertensão quanto por provocar alterações que podem comprometer diretamente o funcionamento dos rins.

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Qual é a relação entre diabetes e doença renal?

O diabetes permanece como a principal causa de doença renal crônica em grande parte do mundo. O excesso de glicose no sangue provoca uma agressão contínua aos pequenos vasos dos rins, comprometendo, de forma lenta e progressiva, sua capacidade de filtrar o sangue.

Como esse processo costuma evoluir silenciosamente, os primeiros indícios geralmente aparecem nos exames laboratoriais. Um dos sinais iniciais é a presença de pequenas quantidades de albumina na urina, proteína que normalmente é retida pelos rins e cuja eliminação pode indicar lesão renal precoce. Com a evolução da doença, começam a surgir alterações nos exames de sangue, como o aumento da creatinina e a redução da taxa de filtração glomerular. Por isso, toda pessoa com diabetes deve monitorar regularmente a saúde dos rins, mesmo quando não apresenta qualquer sintoma.

Como a hipertensão afeta os rins?

A hipertensão arterial é outro dos principais fatores responsáveis pela doença renal crônica. A pressão elevada agride continuamente os vasos sanguíneos dos rins, reduzindo sua capacidade de filtração ao longo do tempo. Mas essa relação funciona nos dois sentidos. Quando os rins começam a perder sua função, eles também contribuem para elevar a pressão arterial. Forma-se, então, um ciclo vicioso: a hipertensão acelera a lesão renal, enquanto os rins comprometidos dificultam cada vez mais o controle da pressão.

Essa interação explica por que muitos pacientes passam a apresentar hipertensão de difícil controle quando a doença renal já está instalada. Manter a pressão arterial dentro das metas recomendadas é uma das medidas mais eficazes para retardar a progressão da doença e reduzir também o risco de complicações cardiovasculares.

Qual é o papel da obesidade na doença renal?

Durante muitos anos, a obesidade foi vista apenas como um fator de risco indireto para a doença renal, por aumentar as chances de desenvolver diabetes e hipertensão. Hoje sabemos que ela também pode contribuir diretamente para o comprometimento dos rins. O excesso de peso aumenta a sobrecarga de trabalho renal, favorece processos inflamatórios e provoca alterações estruturais que aceleram a perda da função dos rins.

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Embora não seja considerada uma causa tão importante quanto o diabetes e a hipertensão, a obesidade atua como um importante fator associado, potencializando o risco de doença renal crônica. O crescimento da obesidade entre crianças, adolescentes e adultos preocupa porque faz com que o comprometimento renal apareça cada vez mais cedo. Quanto mais precoce a perda da função dos rins, maior será o tempo de exposição ao risco de insuficiência renal e de complicações cardiovasculares ao longo da vida.

Como prevenir a doença renal crônica?

A boa notícia é que muitos casos de doença renal crônica podem ser prevenidos ou, pelo menos, ter sua progressão retardada. Além das mudanças no estilo de vida, os avanços no tratamento do diabetes, da hipertensão e da própria doença renal ampliaram significativamente as possibilidades de preservar a função dos rins. Quando o diagnóstico é feito precocemente, já existem medicamentos capazes de retardar a progressão da doença e reduzir o risco de diálise.

Controlar a glicemia e a pressão arterial, manter um peso saudável, praticar atividade física regularmente, adotar uma alimentação equilibrada e realizar exames periódicos são medidas comprovadamente eficazes para proteger os rins.

Por que a prevenção é importante em Chapecó e região?

Em Chapecó e no Oeste Catarinense, onde hábitos alimentares ricos em carnes, gorduras e carboidratos, aliados ao sedentarismo, são fatores de risco para diabetes, hipertensão e obesidade, a conscientização sobre a doença renal crônica é essencial. A região tem alta incidência de doenças metabólicas, e a prevenção por meio de mudanças no estilo de vida pode reduzir os casos de insuficiência renal e a necessidade de diálise ou transplante.

A orientação é que a população busque avaliação médica regular, especialmente aqueles com histórico familiar de doença renal, diabetes ou hipertensão. Exames simples de sangue e urina podem detectar precocemente alterações na função dos rins, permitindo intervenções que retardam a progressão da doença.

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Com informações da Sociedade Brasileira de Nefrologia e de especialistas em saúde renal.

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