Tarifa dos EUA eleva imposto sobre uva brasileira para 35% e preocupa exportadores

Compartilhe essa notícia:

Resumo

O USTR anunciou na quarta-feira (15/7) uma sobretaxa de 25% que deixou a uva brasileira fora das isenções e elevou a alíquota para 35% nos Estados Unidos. Margarete Boteon, do Cepea, diz que a fruta é a mais relevante entre as excluídas.

A medida atinge também melão e melancia, mas o efeito imediato tende a ser menor nesses casos. Para a uva, o impacto pesa mais porque as vendas ao mercado americano já vinham perdendo espaço e a Europa segue como principal destino.

Uva ficou no centro da mudança

A maioria das frutas brasileiras exportadas aos Estados Unidos escapou da sobretaxa de 25% anunciada na quarta-feira (15/7) pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, em inglês), mas a uva ficou fora da lista de isenções e virou o caso mais sensível entre os produtos atingidos. A pesquisadora Margarete Boteon, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), disse que essa é a fruta de maior relevância ausente da relação.

Segundo ela, as exportações brasileiras de uva para os Estados Unidos já vinham perdendo competitividade desde a tarifação anterior, que reduziu de forma significativa a participação desse destino nas vendas externas da fruta. No início do segundo semestre, o mercado norte-americano ainda era uma janela comercial importante. A Europa continua sendo o principal destino da uva brasileira.

Setor tenta medir o estrago

De forma geral, o cenário é relativamente favorável para o setor de hortifrutis. A maior parte das frutas tropicais, dos cítricos, do suco de laranja e de outros derivados ficou isenta, o que limita os efeitos diretos da medida sobre a cadeia hortifrutícola. Mesmo assim, o setor deve acompanhar a publicação definitiva dos códigos tarifários, sobretudo no caso da uva e de outros produtos que ficaram fora da lista.

LEIA TAMBÉM  Receita Atende promove agilidade em atendimentos digitais

A Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas) informou que a tarifa adicional de 25% eleva para 35% a alíquota incidente sobre a uva brasileira e reduz significativamente sua competitividade no mercado americano. Melão e melancia também foram incluídos nas taxas. Segundo a entidade, o impacto sobre esses dois produtos tende a ser menor por causa do perfil e do volume das exportações para o mercado norte-americano.

A Abrafrutas disse ainda que já orienta produtores e exportadores sobre os procedimentos diante do novo cenário. A associação também trabalha para reduzir os prejuízos ao setor e avalia alternativas como diversificar mercados e adotar novas estratégias comerciais para manter o escoamento da produção.

Em 2025, o Brasil exportou cerca de US$ 41,5 milhões em uvas para os Estados Unidos, volume equivalente a aproximadamente 14 mil toneladas.

Siga-nos no

Google News

Siga nas Redes Sociais

5,000FãsCurtir
11,450SeguidoresSeguir
260SeguidoresSeguir
760InscritosInscrever

Últimas Notícias

Notícias Relacionadas

Confiança da indústria cai ao menor nível desde a pandemia

Icei recuou 2,3 pontos em julho, foi a 44,4 e ficou abaixo de 50 por 19 meses seguidos.