Fevereiro é o mês mais curto do calendário, com 28 dias na maioria dos anos e 29 em anos bissextos. A diferença, que desperta curiosidade e dúvidas, tem origem em decisões tomadas há mais de dois mil anos, ainda na época do Império Romano, e está diretamente ligada à necessidade de ajustar o calendário ao tempo real que a Terra leva para dar uma volta completa ao redor do Sol.
O primeiro calendário romano, criado por volta de 753 a.C., possuía apenas 10 meses e não incluía o período de inverno em uma divisão formal. Posteriormente, o rei Numa Pompílio promoveu uma reforma e estabeleceu um calendário com 12 meses e 355 dias. Na época, os romanos consideravam os números ímpares mais favoráveis, e a maioria dos meses passou a ter 29 ou 31 dias. No entanto, para completar o total anual, um dos meses precisou ter um número par de dias. Fevereiro acabou ficando com 28 e, desde então, tornou-se o mês mais curto do ano.
O significado simbólico de fevereiro
Além da questão matemática, fevereiro tinha um significado simbólico importante na cultura romana. O período era dedicado a rituais de purificação e homenagens aos mortos, o que reforçou sua posição como o último mês do calendário na época e contribuiu para sua menor duração.
A chegada do ano bissexto
A estrutura atual começou a tomar forma em 46 a.C., quando o imperador Júlio César implementou o calendário juliano, baseado no ciclo solar. Os astrônomos já sabiam que o ano solar não tem exatamente 365 dias, mas aproximadamente 365 dias e quase seis horas a mais. Essa diferença, embora pequena, gera um descompasso ao longo do tempo.
Para resolver o problema, foi criada a regra do ano bissexto, com a adição de um dia extra a cada quatro anos. Esse dia foi incluído em fevereiro, que passou a ter 29 dias nesses anos específicos. A escolha ocorreu justamente porque fevereiro já era o mês mais curto e o último na contagem romana tradicional.
Sem essa correção periódica, o calendário ficaria progressivamente desalinhado com as estações do ano. Em poucas centenas de anos, datas como o início do verão e do inverno ocorreriam em períodos completamente diferentes dos atuais.
O calendário gregoriano e a regra atual
O modelo utilizado atualmente é o calendário gregoriano, instituído em 1582 pelo papa Gregório XIII, que fez ajustes adicionais para tornar a contagem ainda mais precisa. Pela regra atual, um ano é bissexto quando é divisível por quatro, com exceção dos anos divisíveis por 100, que só são bissextos se também forem divisíveis por 400.
Na prática, isso significa que fevereiro ganha um dia extra a cada quatro anos para compensar a diferença entre o calendário e o tempo real do movimento da Terra. É esse ajuste que mantém as estações e as datas alinhadas, garantindo a organização do calendário como conhecemos hoje.




