El Niño pode se tornar um dos mais fortes da história, diz meteorologista

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Resumo

Arthur Müller, meteorologista do Canal Rural, disse nesta quinta-feira que o atual El Niño pode virar um dos mais intensos da história nos próximos meses, mas não existe hoje uma categoria científica para “super” ou “mega” fenômenos. A NOAA usa faixas até acima de 2,0°C.

O debate ganhou força com apelidos como “Godzilla El Niño”, mas o nome correto, segundo ele, ainda é apenas El Niño muito forte, possivelmente acima dos registros históricos.

O nome que pegou nas redes não existe na ciência

As projeções climáticas para os próximos meses apontam que o atual episódio de El Niño pode entrar para a lista dos mais intensos já vistos. Foi nesse cenário que expressões como “Super El Niño”, “Mega El Niño” e “Godzilla El Niño” passaram a circular em reportagens e nas redes sociais.

Segundo Arthur Müller, meteorologista do Canal Rural, a resposta é não: hoje não existe uma classificação científica oficial para episódios acima dos limites já adotados. O El Niño é definido pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico Equatorial.

Para ser configurado oficialmente, a anomalia de temperatura precisa ficar acima de 0,5°C por um período contínuo, o que permite o acoplamento entre oceano e atmosfera. A National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) divide a intensidade em quatro faixas: de 0,5°C a 1,0°C, El Niño fraco; de 1,0°C a 1,5°C, moderado; de 1,5°C a 2,0°C, forte; e acima de 2,0°C, muito forte.

Quando o termômetro passa do limite

Na avaliação de Müller, o episódio atual já está na faixa considerada forte e os modelos climáticos indicam que o aquecimento pode seguir avançando até o fim do ano. O problema é a ausência de uma escala oficial para episódios que ultrapassem marcas históricas.

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O recorde atual ocorreu entre 2015 e 2016, quando a anomalia chegou a cerca de 2,5°C. Agora, alguns modelos indicam que este evento pode alcançar até 3°C.

Ele avalia que a tendência é a comunidade científica precisar revisar as classificações existentes. Esse tipo de discussão já aparece em debates sobre a criação de categorias superiores para furacões e tornados. Hoje não existe oficialmente um “super El Niño” ou um “mega El Niño”; essas expressões servem para transmitir a ideia de um evento extremamente intenso, mas ainda não fazem parte da nomenclatura científica.

A mudança de nomenclatura depende de consenso entre pesquisadores e da publicação de estudos científicos específicos. Na ciência, criar uma nova classificação exige validação. Não basta alguém começar a usar um nome. É preciso que existam trabalhos científicos propondo essa mudança e que ela seja aceita pela comunidade.

Por isso, embora seja comum encontrar o termo “super El Niño” em notícias e análises, o mais correto é dizer que o planeta poderá enfrentar um episódio de El Niño muito forte, possivelmente acima dos registros históricos.

Godzilla virou apelido para medir força

Outro apelido que ganhou espaço foi “Godzilla El Niño”. A expressão não faz parte da nomenclatura científica e surgiu para representar a força excepcional de um episódio que foge dos padrões históricos.

Godzilla é o famoso kaiju — monstro gigante — criado pela indústria cinematográfica japonesa em 1954. Conhecido por seu tamanho colossal, poder destrutivo e por ser praticamente indestrutível, o personagem nasceu como uma metáfora para o poder devastador das armas nucleares e se tornou um dos maiores ícones da cultura pop mundial.

Segundo Müller, apelidos assim costumam aparecer quando um fenômeno meteorológico apresenta intensidade muito acima do que normalmente se observa. “Quando um fenômeno climático foge até dos limites do que a gente considera extremo, costuma receber apelidos ligados a monstros, como o Godzilla, justamente para ilustrar a enorme quantidade de energia envolvida”, disse ele.

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Apesar da analogia, Müller reforça que o nome “Godzilla El Niño” não quer dizer que os impactos serão catastróficos em todas as regiões do planeta. O El Niño afeta a circulação atmosférica global, mas isso não significa necessariamente uma grande enchente no Sul do Brasil ou uma seca histórica no Nordeste.

Os eventos extremos podem ocorrer em diferentes partes do mundo, e a distribuição desses impactos só pode ser avaliada com mais precisão conforme o fenômeno evolui. Segundo o meteorologista, o único efeito considerado praticamente certo é o aumento das temperaturas globais e a maior probabilidade de novos recordes de calor durante a atuação do fenômeno.

O conteúdo original foi publicado pelo Canal Rural.

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