Resumo
Estudo nacional mostra que distúrbios do sono afetam milhões de adultos no país e reforça a importância de hábitos saudáveis.
Três em cada 10 brasileiros enfrentam dificuldades para dormir, segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde com base em um levantamento realizado ao longo de 2024. A pesquisa ouviu moradores de todas as capitais brasileiras e do Distrito Federal e revelou que a insônia já faz parte da rotina de uma parcela significativa da população adulta.
O estudo integra o Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas, que monitora hábitos e condições de saúde no país. Entre os entrevistados, cerca de 30% relataram problemas recorrentes para iniciar o sono, despertares noturnos frequentes ou acordar antes do horário desejado, sem conseguir voltar a dormir.
Mulheres concentram maior índice de queixas
A análise dos dados mostra que os sintomas são mais comuns entre as mulheres. Especialistas apontam que fatores hormonais, dupla jornada de trabalho, sobrecarga mental e estresse cotidiano contribuem para esse cenário.
Para a vice-presidente da Academia Brasileira do Sono, Andrea Bacelar, a persistência desses sintomas pode indicar um quadro clínico de insônia. Segundo ela, a condição passa a ser considerada um transtorno quando ocorre pelo menos três vezes por semana, durante um período mínimo de três meses, comprometendo o bem-estar e o desempenho diário.
Uma parte da população dorme menos do que o recomendado
Outro dado relevante do levantamento indica que 20% dos adultos dormem menos de seis horas por noite. Esse tempo é considerado insuficiente para a recuperação adequada do organismo.
A restrição do sono pode afetar diretamente o funcionamento do sistema imunológico, a regulação hormonal, o metabolismo e até a saúde mental. Estudos associam noites mal dormidas ao aumento do risco de doenças cardiovasculares, obesidade, diabetes, ansiedade e depressão.
Estresse e preocupações estão entre os principais vilões
A rotina intensa, as responsabilidades financeiras e a pressão no ambiente profissional aparecem entre os fatores que mais interferem no descanso noturno. Pensamentos acelerados e dificuldade para relaxar fazem com que muitas pessoas demorem a adormecer ou tenham um sono fragmentado.
Especialistas explicam que, quando o cérebro permanece em estado constante de alerta, o corpo não consegue entrar plenamente nos estágios mais profundos do sono, responsáveis pela recuperação física e mental.
Caminhos para melhorar a qualidade do sono
Embora o problema seja comum, mudanças simples nos hábitos podem contribuir para noites mais tranquilas. Entre as principais orientações estão:
- manter horários regulares para dormir e acordar;
- evitar o consumo de cafeína no fim do dia;
- reduzir o uso de telas antes de dormir;
- praticar atividades físicas regularmente;
- criar um ambiente escuro, silencioso e confortável no quarto.
Uma estratégia indicada por especialistas é colocar no papel as preocupações antes de se deitar. O ato de organizar os pensamentos ajuda a reduzir a ansiedade e facilita o relaxamento necessário para o sono.
Outros dados preocupantes sobre a saúde do brasileiro
Além dos indicadores relacionados ao sono, o levantamento mostrou que seis em cada dez adultos estão acima do peso ideal. A pesquisa também identificou crescimento nos diagnósticos médicos de hipertensão e diabetes, reforçando a necessidade de políticas públicas voltadas à prevenção.
Por outro lado, houve avanço na prática de atividades físicas no tempo livre, o que sinaliza uma maior conscientização da população sobre a importância de hábitos saudáveis.
Especialistas destacam que manter uma rotina equilibrada, com alimentação adequada, exercícios regulares e sono de qualidade, é fundamental para melhorar a saúde e reduzir o risco de doenças crônicas.
Fonte: G1





