Telas na primeira infância preocupam pediatras e educadores

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A Sociedade Brasileira de Pediatria atualizou em 2026 as recomendações sobre telas, tecnologias e mídias nas escolas, enquanto a internet ampliada abriu oportunidades educacionais e também desafios ao desenvolvimento neuropsicomotor. A entidade cita o Marco Civil da Internet (Lei nº 12.965/2014), a Lei Geral de Proteção de Dados (Lei nº 13.709/2018), a Resolução nº 245/2024 do Conanda e a Lei nº 15.100, que restringe celulares nas escolas.

O alerta mira sobretudo a primeira infância. Nessa fase, diz a Sociedade Brasileira de Pediatria, a plasticidade cerebral é intensa e as experiências interpessoais ajudam a organizar circuitos ligados à linguagem, à autorregulação e às funções executivas. Alguns estudos associam tempo de tela a atraso de linguagem, pior desempenho do desenvolvimento e prejuízo nessas funções.

Quando a tela toma o lugar da brincadeira

Raquel Nazário, gestora educacional com especialização em áreas essenciais da alfabetização, afirma que o excesso de tecnologia faz a criança perder experiências essenciais. “Quando a tela passa a ocupar o espaço da brincadeira livre, da conversa, do movimento e da interação com outras crianças e adultos, a criança perde experiências essenciais para o desenvolvimento”, ressalta.

Ela acrescenta que aprender não se resume à absorção de conteúdo. “Na infância, aprender não acontece apenas pela absorção de conteúdo, mas pelo corpo em movimento, pela linguagem compartilhada, pelo faz de conta, pela negociação com o outro e pela exploração concreta do ambiente. A Organização Mundial da Saúde reforça que, especialmente nos primeiros anos, crianças precisam de mais tempo de brincadeira ativa, sono de qualidade e menos tempo sedentário diante de telas”, indica a especialista.

A Organização Mundial de Saúde recomenda evitar telas antes dos dois anos e limitar o uso a até uma hora diária entre dois e cinco anos. A Sociedade Brasileira de Pediatria repete essa orientação.

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Na idade escolar e na adolescência, o uso estruturado e intencional de recursos digitais pode favorecer aprendizagem e letramento digital. Mas algumas revisões sistemáticas apontam associação entre uso recreativo excessivo e sintomas depressivos e ansiosos, aumento de sedentarismo e obesidade, além de prejuízos ao sono.

Raquel Nazário diz ainda que o uso excessivo pode afetar atenção, linguagem, memória, sono, autorregulação emocional e disponibilidade para aprender. “A criança pequena precisa interagir para desenvolver vocabulário, escuta, empatia, coordenação motora e pensamento simbólico. Quando a tela vira a principal fonte de estímulo, há risco de a criança se acostumar a respostas rápidas, excesso de estímulos e menor tolerância à espera, à frustração e ao esforço cognitivo”, afirma.

Escola e família dividem a tarefa

A Sociedade indica recomendações para cada eixo que tem contato com as crianças. Na educação infantil, em berçários e creches, recomenda evitar telas e restringir o uso apenas a situações pedagógicas; também prioriza leitura física, brincadeiras simbólicas, movimento corporal e interação social. No ensino fundamental e médio, as tecnologias podem entrar com intenção pedagógica intencional, com limitação do uso recreativo durante o período escolar.

Nos chamados “eixos transversais”, a orientação é preservar o sono e estimular atividade física regular. A entidade também defende fortalecer as interações familiares offline como parte da promoção da saúde.

“Escola e família precisam atuar juntas para organizar uma rotina em que a tecnologia tenha lugar, mas não substitua experiências fundamentais da infância. Isso significa garantir tempo para brincar, conversar, ler, imaginar, movimentar o corpo, conviver com outras crianças e participar de atividades ao ar livre. A escola contribui quando oferece propostas intencionais, lúdicas e interativas, que desenvolvem linguagem, autonomia, criatividade e vínculos sociais. Já a família tem papel essencial ao estabelecer combinados, acompanhar conteúdos e, principalmente, oferecer presença”, aponta.

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Raquel Nazário conclui: “A questão central não é demonizar a tecnologia, mas lembrar que, na infância, nenhuma tela substitui o valor de uma criança brincando, perguntando, criando, se movimentando e se relacionando com o mundo real”.

 As informações são da CNN Brasil.

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