Setembro Amarelo: o que dizer a alguém que não quer mais viver?

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Ouvir sem julgar, perguntar diretamente sobre suicídio e ajudar a pessoa a encontrar atendimento são atitudes que podem fazer diferença em um momento de crise

“Eu não aguento mais.”

“Queria desaparecer.”

“Não vejo mais sentido em continuar.”

Ouvir uma frase como essas de alguém próximo pode provocar medo. Muitas pessoas não sabem o que responder, tentam imediatamente convencer a outra de que a vida é boa ou evitam tocar no assunto por receio de piorar a situação.

No início do Setembro Amarelo, mês dedicado à conscientização sobre a prevenção do suicídio, uma das informações mais importantes é justamente o contrário: falar sobre sofrimento e abrir espaço para que uma pessoa expresse o que está sentindo pode fazer parte da prevenção.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que perguntar diretamente a alguém se está pensando em suicídio não faz com que essa pessoa passe a agir sobre esses pensamentos. A conversa pode, na realidade, reduzir a ansiedade e fazer com que ela se sinta compreendida.

Não tenha medo de perguntar

Existe um receio comum de que pronunciar a palavra “suicídio” possa colocar a ideia na cabeça de alguém.

A OMS trata essa crença como um mito.

Quando existem motivos para preocupação, é possível perguntar de maneira direta e cuidadosa se a pessoa está pensando em tirar a própria vida.

A pergunta não precisa vir acompanhada de um discurso elaborado. Mais importante é demonstrar disposição genuína para ouvir a resposta.

Isso porque uma pessoa em intenso sofrimento emocional nem sempre precisa, naquele primeiro momento, de alguém tentando solucionar todos os seus problemas. Ela pode precisar de um espaço em que consiga falar sobre aquilo que está vivendo sem ser ridicularizada, julgada ou interrompida.

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O que dizer para alguém em sofrimento?

Não existe uma frase perfeita capaz de eliminar o sofrimento de outra pessoa.

Uma conversa de acolhimento pode começar de maneira simples:

“Eu estou preocupado com você.”

“Você quer me contar o que está acontecendo?”

“Eu estou aqui para ouvir.”

“Vamos procurar ajuda juntos?”

O Ministério da Saúde recomenda encontrar um momento adequado e um lugar tranquilo para conversar, ouvir a pessoa com a mente aberta e demonstrar que existe disponibilidade para ajudá-la.

O silêncio também pode fazer parte dessa conversa. Nem todo sofrimento precisa receber imediatamente uma resposta.

Algumas frases bem-intencionadas podem machucar

Diante do sofrimento de alguém, é comum tentar mostrar rapidamente o lado positivo da situação.

Frases como “você tem tudo para ser feliz”, “pense na sua família”, “tem gente passando por coisa pior” ou “você precisa ser forte” podem ser ditas com a intenção de ajudar, mas acabam diminuindo uma experiência que, para aquela pessoa, é real e dolorosa.

A escuta não exige concordar com a ideia de morrer. Significa reconhecer que existe sofrimento.

Em vez de discutir se a pessoa “deveria” ou não estar se sentindo daquela maneira, é mais importante ajudá-la a atravessar aquele momento e chegar a uma rede de cuidado.

Nem sempre existem sinais óbvios

Também é importante abandonar a ideia de que seria possível identificar com certeza quem está pensando em suicídio.

O Ministério da Saúde ressalta que não existe uma receita capaz de detectar seguramente uma crise suicida e que os sinais não devem ser interpretados isoladamente.

Algumas mudanças, porém, merecem atenção quando aparecem em conjunto ou representam uma alteração importante no comportamento habitual.

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Entre elas estão isolamento social, desesperança, mudanças intensas de humor e manifestações sobre não ter motivos para viver ou desejar morrer.

O contexto também importa. Perdas, conflitos familiares, sofrimento no trabalho, discriminação, doenças crônicas e outros acontecimentos podem aumentar a vulnerabilidade de determinadas pessoas, mas nenhum deles deve ser tratado isoladamente como “a causa” de um suicídio.

O comportamento suicida é complexo e resulta da interação de diferentes fatores psicológicos, biológicos, sociais, culturais e ambientais.

Quando a situação se torna uma emergência

Se houver risco imediato, a conversa deixa de ser apenas uma forma de apoio emocional.

A orientação do Ministério da Saúde é não deixar a pessoa sozinha.

É necessário procurar atendimento de emergência e, sempre que possível, envolver alguém de confiança indicado pela própria pessoa.

Outra medida recomendada é reduzir o acesso a meios que possam ser utilizados para provocar a própria morte.

A pessoa pode ser encaminhada a uma UPA, pronto-socorro ou hospital. Em uma emergência, o Samu pode ser acionado pelo telefone 192.

A ajuda não termina depois da crise

Uma das atitudes mais simples recomendadas pelo Ministério da Saúde é continuar presente.

Mandar uma mensagem alguns dias depois, perguntar como a pessoa está, acompanhar uma consulta ou ajudá-la a chegar a um serviço de saúde são maneiras de transformar uma conversa isolada em uma verdadeira rede de apoio.

A pessoa pode procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou um Centro de Atenção Psicossocial (Caps), além de outros serviços de saúde mental.

O Centro de Valorização da Vida (CVV) também oferece apoio emocional gratuito e sigiloso pelo telefone 188, 24 horas por dia. O atendimento também está disponível por outros canais do CVV.

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Setembro Amarelo precisa ir além de “falar sobre saúde mental”

O suicídio não possui uma única causa e tampouco pode ser prevenido por uma única conversa.

Prevenção envolve acesso a serviços de saúde, acompanhamento adequado, redução de fatores de risco, fortalecimento de redes de apoio e uma sociedade na qual pedir ajuda não seja entendido como sinal de fraqueza.

Também envolve aprender a permanecer ao lado de alguém quando não sabemos exatamente o que dizer.

Talvez uma das mensagens mais importantes do Setembro Amarelo seja justamente essa: você não precisa ter todas as respostas para acolher alguém.

Às vezes, a primeira ajuda é ouvir.

E a próxima é não deixar que aquela pessoa procure o restante da ajuda sozinha.

Onde buscar ajuda

CVV: 188 — apoio emocional gratuito e sigiloso, 24 horas por dia.

SUS: Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Centros de Atenção Psicossocial (Caps).

Em situações de emergência: Samu (192), UPA, pronto-socorro ou hospital.

Fontes consultadas

Organização Mundial da Saúde (OMS) — Suicide: questions and answers
Ministério da Saúde — Suicídio (Prevenção)
Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS) — Comunicação responsável para prevenção do suicídio
OPAS/OMS — Preventing suicide: a resource for media professionals

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