sexta-feira, 12 junho, 2026

Hábito de coçar os olhos pode favorecer doenças e prejudicar a saúde ocular

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Resumo

No Junho Violeta, a Sociedade Catarinense de Oftalmologia alerta para o ceratocone, doença que pode avançar na infância e na adolescência e que, segundo a Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde, afeta de 50 a 200 pessoas a cada 100 mil habitantes.

O recado da entidade é direto: coçar os olhos com frequência não deve ser tratado como hábito inocente, porque o atrito repetido pode piorar alterações na córnea em pessoas predispostas.

Quando o olho coça demais

O presidente da Sociedade Catarinense de Oftalmologia, Dr. André Frutuoso, diz que o alerta precisa chegar antes que a doença avance. Quando uma criança ou adolescente troca o grau com muita frequência, aproxima objetos do rosto, reclama de visão embaçada ou continua enxergando mal mesmo com óculos, é hora de investigar.

Ele lembra que o ceratocone pode evoluir sem dar sinais claros. Quanto mais cedo for identificado, maiores são as chances de preservar a visão.

Frutuoso também chama atenção para outro ponto: nem toda pessoa que coça os olhos terá ceratocone, mas o hábito precisa ser observado. A coceira tem causa e deve ser tratada. O problema começa quando o desconforto vira repetição, sobretudo numa córnea já fragilizada.

O que é o ceratocone

A doença modifica o formato da córnea, estrutura transparente na parte anterior do olho. Com o avanço do quadro, ela fica mais fina e irregular, assume aspecto de cone e passa a provocar distorções na visão, aumento frequente do grau, astigmatismo irregular, sensibilidade à luz e dificuldade para enxergar mesmo com óculos.

Dados do Conselho Brasileiro de Oftalmologia usados pela Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde estimam que o ceratocone atinja de 50 a 200 pessoas por 100 mil habitantes. No Brasil, cerca de 150 mil pessoas desenvolvem a doença por ano, principalmente entre 10 e 25 anos.

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Sinais que pedem avaliação

Entre os sinais de alerta estão coceira intensa, vermelhidão frequente, sensibilidade à luz, visão embaçada, troca recorrente dos óculos, dificuldade para enxergar de longe e queda no rendimento escolar. Nesses casos, a avaliação com oftalmologista é essencial.

O diagnóstico depende de exames específicos, como topografia e tomografia da córnea, que permitem identificar mudanças no formato e na espessura da estrutura. Quando descoberto cedo, o quadro pode ser acompanhado com mais segurança.

Em alguns casos, óculos ajudam; em outros, lentes especiais entram no tratamento. Há situações em que o crosslinking é indicado para tentar estabilizar a evolução da doença.

No Junho Violeta, a SCO reforça ainda que os olhos não devem ser esfregados como resposta automática ao desconforto. Procurar a causa da coceira e avaliar a córnea é um cuidado simples que pode evitar perdas visuais importantes.

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