Justiça de SC suspende lei estadual que proibia cotas raciais em universidades

Compartilhe essa notícia:

A Justiça de Santa Catarina decidiu, nesta terça-feira (27), suspender a eficácia da lei estadual que proibia cotas raciais em instituições de ensino que recebem verbas públicas. A medida é uma resposta imediata à Lei 19.722/2026, sancionada na semana passada.

A decisão, da desembargadora Maria do Rocio Luz Santa Ritta, atende a um pedido do PSOL e se baseia no entendimento já consolidado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a constitucionalidade das ações afirmativas.

Fundamento da decisão: alinhamento com o STF

A magistrada argumentou que a proibição genérica criada pela lei catarinense é dissonante da interpretação constitucional já pacificada no país. Em sua decisão, ela destacou que a norma estadual foi criada sem uma avaliação concreta de necessidade ou adequação.

“A proibição legislativa genérica e desvinculada de avaliação concreta de necessidade ou adequação revela-se, ao menos em juízo de cognição sumária, dissonante da interpretação constitucional já consolidada”, afirmou a desembargadora em sua decisão.

O que a lei estadual proibia e o que permitia

A Lei 19.722/2026, agora suspensa, vedava políticas de ação afirmativa baseadas em raça ou cor. A norma permitia a reserva de vagas somente com base em três critérios:

  • Para pessoas com deficiência (PcD);
  • Para alunos egressos de escolas públicas;
  • Com base em critérios exclusivamente econômicos.

Isso inviabilizava, por exemplo, o sistema de cotas raciais adotado pela Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) desde 2011.

Contexto nacional: ações no STF e prazo para SC

O caso também está sendo analisado em âmbito federal. Na segunda-feira (26), a OAB e outras entidades protocolaram ações de inconstitucionalidade contra a lei no Supremo Tribunal Federal.

Nesta terça, o ministro Gilmar Mendes, relator dos processos no STF, deu um prazo de 48 horas para o governo de Santa Catarina se manifestar sobre a validade da legislação. A decisão da Justiça estadual antecipa-se, portanto, ao posicionamento do governo catarinense no Supremo.

LEIA TAMBÉM  Programa Mais Verde vai beneficiar 20 mil propriedades rurais em SC

Próximos passos e segurança jurídica

Com a suspensão determinada pela desembargadora, a lei deixa de produzir efeitos imediatamente. Isso garante segurança jurídica para os processos seletivos em andamento, como o vestibular da Udesc.

O tema, no entanto, ainda será julgado em definitivo pelo STF, que deverá analisar a constitucionalidade da norma à luz de seus próprios precedentes sobre políticas de cotas.

Siga-nos no

Google News

Siga nas Redes Sociais

5,000FãsCurtir
11,450SeguidoresSeguir
260SeguidoresSeguir
760InscritosInscrever

Últimas Notícias

Notícias Relacionadas

Homem é preso após agredir mulher no rosto em Chapecó

Vítima de 34 anos foi encaminhada para atendimento médico; filho de oito anos ficou...

PM apreende pistola com oito munições no Centro de Chapecó

Homem de 31 anos foi abordado após policiais receberem informações de que ele estaria...

TSE manda Lula e Janja retirarem vídeos contra Flávio Bolsonaro das redes sociais

Ministros consideraram que publicações atribuem ao candidato propostas de cortes em programas sociais sem...

Bombeiros resgatam cachorro ferido e preso embaixo de residência na Efapi

Animal estava preso pela barriga em uma vala e precisou ser retirado com...