HISTÓRIAS DOS PARAJASC
Cada coisa que eu faço é uma vitória, para a Maria Vitória
Numa casa verde, de madeira, no bairro líder, moram os irmãos Cristiano, Ivonei e Cláudia Inocente, que colecionam medalhas e histórias de superação nos Parajasc. Em frente da casa, tem uma trave e um gramado onde eles brincam com a bola de futebol, uma paixão da família. Eles também jogam nas quadras e ginásios do bairro e já disputaram vários campeonatos. Cristiano Inocente foi o primeiro a disputar os Parajasc, na primeira edição em 2005, no Futsal DI.
“Desde pequeno jogava. Eu fui o primeiro na competição, depois vieram meus irmãos. O Parajasc é bom porque a gente conhece pessoas novas. Também ensina a respeitar, quem tem problema, quem não tem. É uma escola para a tua vida, de educação, de respeito ao próximo. Além disso é bom porque a gente viaja, conhece outras cidades, outras culturas. Já fui para Joinville, Criciúma, Florianópolis e outras cidades”, disse Cristiano.
Agora, jogando em casa, conta com a torcida dos amigos e também dos colegas de trabalho da agroindústria de uma cooperativa de Chapecó. “Já avisei com antecedência meu encarregado para me liberarem. A empresa sempre me liberou e deu apoio. Ele só brincou que iria me liberar se eu trouxesse medalha. Eu disse que é garantido. Eu tenho medalhas de terceiro, de segundo e agora vamos tentar buscar o Ouro e deixar o troféu em casa”, disse Cristiano.
Para isso ele aposta no entrosamento com o irmão Ivonei. “Meu primeiro ano foi em 2015. Já conquistamos Prata em Caçador e Bronze em São José. Neste ano a gente quer buscar o título. A gente se prepara o ano inteiro e cuida para não se lesionar para fazer uma boa competição. O Parajasc é superação”, disse Ivonei.
Já a irmã, Cláudia, também joga futebol mas vai competir no Atletismo, onde tem uma coleção de 21 medalhas, sendo 20 de Ouro e uma de Prata. Ela tem o apelido de Cuca, pois vendia na vizinhança cucas e doces que eram feitos pela mãe, já falecida, para ajudar no sustento da família.
Quando foi jogar um campeonato por um time novo, o técnico não sabia seu nome e a chamou de Cuca. Também foi num campeonato de futebol, no interior, que surgiu o contive para os Parajasc.
“Tinha dois árbitros que me convidaram para disputar uma competição. Eu aceitei mas pensei que fosse de futebol. Daí quando fui na secretaria de Esportes me falaram que era para o Atletismo. Eu fiquei preocupada porque nunca tinha treinado atletismo e faltava somente uma semana para o início da competição. Eles falaram: Não te preocupa, você corre bastante, você é a Cuca Fuscão”, lembrou Cláudia.
Ela recorda também que a responsável pelas inscrições ficou na dúvida mas os árbitros garantiram que Cuca iria ganhar medalha. Ela foi inscrita nos 400m, 800m e 1.500m. A primeira prova foi de 400m.
“Durante a prova eu pensei, você tem que superar os limites do teu corpo e fui. Quando venci foi muita emoção. Eu chorei bastante a agradecei a Deus”, disse Cláudia. Ela venceu as três provas e garantiu suas três primeiras medalhas, todas de Ouro.
“Aquele primeiro Parajasc, em 2014, foi uma marca, que deu a volta na minha vida. Depois daquilo eu consegui fazer uma faculdade, de Educação Física, onde já me formei em Licenciatura e agora estou terminando o bacharelado. Hoje sou professora e consigo ajudar minha família”, disse Cláudia.
Texto: Darci Debona – PMC
Foto: Daniel Braga




